A “hotelização” dos edifícios de escritório

Olhando para as tendências no que aos espaços de trabalho diz respeito, percebe-se que são várias as mudanças esperadas e crescente a sua importância para a atracção e retenção de talento. Assim, prevê-se uma cada vez maior customização, acima de tudo das experiências das pessoas.

 

Por Cristina Arouca, directora de Research da CBRE em Portugal

 

Em 2017, a CBRE desenvolveu o estudo “Millennials: Myths and Realities”, um projecto que visava avaliar o que efectivamente motiva a geração entre os 22 e os 29 anos e, acima de tudo, o seu impacto nas tendências futuras do mercado imobiliário, até porque, dentro de menos de dois anos, os millennials irão representar metade da força de trabalho. Ora uma das conclusões, entre os 13 mil inquiridos, de 12 países diferentes, apontaram que 78% olham para a qualidade do seu local de trabalho como um factor-chave quando escolhem uma  empresa onde trabalhar. E sim: o salário e os benefícios continuam a ser os  principais factores para escolha de emprego, mas se removermos o dinheiro da equação, sabemos que as referências de Silicon Valley – onde a tecnologia de ponta ganha destaque, sem deixar ao acaso o sentido de comunidade e o respeito pelas necessidades individuais de cada um – vão fazer as delícias desta geração. Mas não só: não será algo transversal, dos baby boomers à geração Z?

Se, até à data, os proprietários e os occupiers (empresas que ocupam o edifício com os seus escritórios) eram o foco de qualquer negociação, actualmente, o utilizador (os colaboradores das empresas) é a peça central, permitindo às empresas oferecer uma elevada experiência laboral, com consequências para os índices de captação e retenção de talento. Para corresponder às (elevadas) expectativas dos utilizadores de edifícios de escritórios, o departamento de Research da CBRE apresenta quatro tendências que podem apoiar os desígnios do local de trabalho “Alpha”.

 

1. A oferta de espaços de serviço on demand
O dia-a-dia de uma empresa pode requerer, pontualmente, a utilização de salas de apresentação equipadas com tecnologia de ponta ou auditórios, ou até sets de fotografia e estúdios de gravação. Disponibilizar estes serviços me-diante reserva e pay per use pode ser um factor de decisão no momento de escolher o espaço e instalar a equipa, em plena “Era da Geração de Conteúdo”.

 

2. Diferenciar os edifícios através de experiências
Além dos lugares de estacionamento e da disponibilização de alimentos e bebidas, os utilizadores exigem cada vez mais serviços que culminam num verdadeiro plano de acções. Bem-estar, cultura, workshops e conferências, responsabilidade social, gastronomia, moda e celebração de efemérides são eixos que devem constar deste plano de acções, alinhado com as expectativas das novas gerações.

 

3. Conceito biofílico e de lazer no interior dos edifícios
As novas exigências obrigam também a criar espaços que integram este conceito. Para a criação de áreas informais para partilha de experiências e convívio, importa preparar os edifícios com serviços que impactam directamente o dia-a-dia das pessoas. Por exemplo, zonas dedicadas à prática desportiva ajudam a promover a saúde e bem-estar dos colaboradores. Espaços mais flexíveis onde prevalecem elementos naturais conduzem a uma maior produtividade e autonomia criativa.

 

4. Adoptar tecnologias intuitivas para envolver as pessoas
A tecnologia é um ponto essencial na diferenciação e, de forma a integrar serviços e comodidades que explorem o lado mais intuitivo da inovação tecnológica existente, há plataformas (como a app Host by CBRE) que permitem aos utilizadores entrarem em contacto directo com a gestão dos edifícios para a comunicação de problemas ou partilha de sugestões, encurtando a distância entre utilizadores e proprietários, e acelerando a  comunicação e a optimização do edifício.

Facto é que a palavra “hotel” é derivada da palavra “hospes”, que, em latim, significa “aquele que é recebido”. Ora, se o objectivo é proporcionar um ambiente  que torna o “ir trabalhar” numa experiência positiva, de serviço completo, catalisadora de talento e da sua retenção, cabe
aos proprietários a “hotelização” dos seus edifícios. E se possível 5 estrelas.

 

Este artigo foi publicado na edição de Março da Human Resources.

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