A importância de promover e apoiar a natalidade no mercado de trabalho

 

No mercado laboral português, ainda assistimos, infelizmente, a algum preconceito em relação à maternidade. Sendo que o respeito e a valorização deste papel familiar deveriam ser princípios fundamentais e inquestionáveis, quero acreditar, no entanto, que este preconceito esteja em extinção.

Por Teresa Oliveira, directora de Recursos Humanos da ITSector

 

Perceber que as empresas são constituídas por pessoas, em diferentes fases da sua vida, é um passo fundamental para mudar o mindset. Os princípios na base da gestão de pessoas devem respeitar essas fases e – mais do que isso – apoiá-las da melhor forma. A maternidade é, com certeza, uma das mais importantes a considerar.

Políticas como a possibilidade de dias de ausência remunerada para acompanhamento aos filhos e a atribuição de presentes monetários pelo nascimento das crianças, afiguram-se como extremamente relevantes para o work-life balance nesta fase tão importante da vida. Aliás, ao proporcionarem igualdade de oportunidades de carreira, estas podem mesmo contribuir para a estabilidade e justiça social, funcionando também como um exemplo junto da comunidade e do mercado, influenciando positivamente outras empresas.

Nos dias de hoje, muito se discute o tema da retenção de talento. A verdade é que o contributo das políticas de incentivo à maternidade não pode ser desvalorizado no que a este assunto diz respeito. Respeitar a maternidade promove uma cultura organizacional de satisfação, tranquilidade e estabilidade. Numa empresa em que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é tido em conta – com os colaboradores a terem oportunidade de apostar na sua carreira e, em simultâneo, concretizar os objectivos associados à maternidade -, há, claramente, e de forma directa, um impacto positivo na retenção de talento. Tratam-se de duas vertentes indissociáveis e mutuamente complementares, pelo que apoiar os colaboradores neste equilíbrio deveria ser uma forma de estar transversal às empresas.

Não tenho dúvidas de que estas medidas e estes princípios são condição fundamental para a construção de relações de reciprocidade sólidas dentro das organizações, baseadas no respeito e confiança mútua. E o resultado é visível: colaboradores felizes, que se sentem respeitados e apoiados profissional e pessoalmente, tendem a contribuir positivamente para o sucesso, alcançando altos níveis de motivação e comprometimento.

Em última análise, e atendendo aos valores do índice de natalidade no nosso país, esta deveria ser uma questão a merecer atenção de todos – com as empresas a assumirem um papel activo. Num mundo ideal, se todas as organizações praticassem este tipo de medidas – e em articulação com o setor público -, teríamos certamente um cenário mais favorável no que à taxa de natalidade diz respeito.

 

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