A obsessão pela produtividade está a matar a criatividade nas empresas

Por Marco Gouveia, consultor e formador de Marketing Digital, CEO da Escola Marketing Digital

 

Vivemos numa Era em que medir resultados virou obsessão. Dashboards, KPI, metas mensais… tudo conta, mas há um preço que raramente é contabilizado: a criatividade. E sem criatividade, nenhuma empresa consegue inovar ou manter-se relevante.

Este é um feedback que ouço regularmente das minhas equipas: muitas vezes estão tão mergulhadas nas tarefas do dia-a-dia — fechar vendas, atender clientes, gerir a comunicação nos vários canais, cuidar de toda a operação do site — que não sobra tempo para reflectir sobre ideias novas ou pensar em estratégia. E, para ser sincero, eu próprio também sinto isso na pele.

A pressão constante para produzir mais transforma-nos em executores de tarefas e não em solucionadores de problemas. É fácil cair na armadilha de medir apenas a produtividade, esquecendo que tempo para pensar, experimentar e errar é essencial para inovar.

O resultado? Equipas esgotadas, ideias repetitivas e perda de engagement. E pior: os melhores talentos acabam por procurar empresas que compreendam que inovação não se mede só em números.

Para lidar com este desafio, procuro criar momentos e espaços dedicados à estratégia e à criatividade. Por exemplo, estabeleço blocos de tempo semanais onde a equipa se dedica apenas a ideias novas, brainstorms e planeamento estratégico, longe das urgências do dia-a-dia. Também incentivo a partilha de sugestões e pequenas experiências em projectos, para que todos se sintam confiantes em testar novas abordagens.

Outro ponto crucial é a autonomia: incentivo que as tarefas mais rotineiras sejam partilhadas entre a equipa, permitindo que cada pessoa se concentre nas áreas em que pode ter maior impacto. Isso reduz a sobrecarga, abre espaço para pensar de forma estratégica e ajuda todos a sentirem mais controlo sobre o próprio trabalho, mantendo o foco nos objectivos gerais da empresa.

A produtividade continua a ser importante, mas não à custa da criatividade e da estratégia. As empresas que aprendem a equilibrar estas duas dimensões não só retêm talento, como aumentam a performance global.

No fundo, o que distingue empresas medianas de empresas memoráveis não é apenas eficiência. É a capacidade de transformar colaboradores em criadores de valor, dando-lhes espaço para pensar, experimentar e inovar.

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