A paciência é uma virtude e continua a ser essencial

Por Pedro Prata, Senior Associate manager da Michael Page

 

A minha mãe sempre me disse: “A paciência é uma virtude.” Hoje, após quase dez anos dedicados ao sector da Energia e das Renováveis, posso afirmar que tinha razão.

Durante este percurso, sempre ligado à consultoria, conheci inúmeras histórias — de candidatos e de clientes. Sendo que, recentemente, vivi uma experiência que me fez reflectir profundamente sobre este tema.

Apoiei um profissional com mais de 20 anos de experiência, reconhecido no mercado e tecnicamente excepcional — um verdadeiro activo para qualquer organização. Após uma década numa multinacional, decidiu sair. Sentia que a sua função se tornara irrelevante, pois a estrutura que ajudou a construir estava perfeitamente afinada. Procurava um novo desafio onde pudesse gerar impacto real. Parecia uma decisão lógica. Mas, durante quatro meses, ninguém o contratava, e aí surgiram duvidas: Será o meu perfil pouco atractivo? Será o meu CV? Será a idade? Ou o contexto do sector?

Quando começámos a trabalhar juntos, percebemos que nada disso era o problema. O verdadeiro desafio? O tempo.

Em posições executivas, os processos são mais longos. E quando o profissional está desempregado, surgem desconfianças por parte dos decisores: Por que saiu sem ter nada assegurado? Terá corrido algo mal?

Estas dúvidas levam muitos decisores a não avançar, sobretudo quando falamos de investimentos significativos. Além disso, quanto mais subimos na pirâmide organizacional, menos lugares existem. Há apenas um COO, um Head of Development, um Project director…

A sua intenção e missão era nobre, falhou na execução, podem dizer certas pessoas. Mas a verdade é que, não há uma única forma correcta de navegar um processo como este. Entretanto, após inúmeras entrevistas, propostas, cerca de três meses depois, acabou por aceitar um projecto. Estamos muito felizes por isso. Após a tempestade, encontrou-se o arco-íris. Mas foi uma tempestade longa, quase oito meses, onde se recusaram ofertas de emprego, salários superiores ao que já tinha tido e posições de liderança que nunca exerceu, pois queríamos efectivamente encontrar uma situação que fosse vantajosa e competitiva, não aceitando a primeira oferta feita no desespero.

Fomos almoçar, após este desfecho positivo, e chegámos a conclusão que: ser paciente não é apenas esperar. É ter coragem, saber quando decidir, aceitar riscos e acreditar que a tempestade não dura para sempre.

A paciência é cada vez mais complexa. A sua ausência pode impactar não só a vida profissional, mas também a pessoal — filhos, família, tudo.

Por isso, acreditem. Tenham propósito. Sejam pacientes.

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