A Pandemia e a revolução na comunicação interna

Por Valter Ferreira – Marketeer, Economista do território, Inovador e Especialista em cidades humanas e inteligente

Neste meu primeiro artigo na Human Resources vou me focar na matéria que, em 2015, me trouxe até à Gestão das Pessoas, se até à data Gestão das Pessoas ainda se prendia muito com gestão de recursos humanos, muitas vezes ver a pessoa como recurso, reduzindo-a a uma folha de Excel, muito mudou com os projetos que tive à oportunidade de criar nessa experiência.

Na altura abracei a comunicação interna, ou como gosto de referir manter os nossos trabalhadores informados de tudo o que se passa na organização, passando-lhes informação útil sobre o dia-a-dia, dicas de saúde no posto de trabalho, datas a relembrar, reconhecimentos pessoais, etc., ou seja, informação relevante para que todos se sintam parte do todo.

Por um lado, não quero que este artigo seja mais um artigo enfadonho sobre o tipo do marketing que acordou para o mundo dos RH. Por outro quero resistir à tentação de falar do teletrabalho e a forma como a Covid-19 revolucionou a forma como devemos comunicar. Mas acho que vou ceder à tentação.

Em plena semana de um passo importante para o desconfinamento, e no momento em que posso finalmente voltar a escrever numa esplanada, não tenho como fugir do tema “pandemia”. Vou em poucas palavras abrir a discussão, que espero que os leitores tragam para outros fóruns, para que possamos em conjunto criar novo conhecimento. Vou escrever sobre como a comunicação interna ficou mais complicada com a pandemia, como mudou e que lições podemos tirar.

Todos nós hoje, pouco mais de um ano após o primeiro caso de infeção com o novo corona vírus em Portugal, conhecemos organizações que mudaram a sua forma de trabalhar, empresários desesperados por manter as suas portas abertas, pessoas que deixaram de trabalhar, e com isto importou desde cedo garantir que o medo e o pânico não se espalhassem nas organizações.

A pandemia causou alterações nas estratégias de curto e longo prazo, com o teletrabalho a tornar-se o novo normal, e tendo mesmo tornando-se obrigatório em muitos setores (com custos que dão para uma série de novos artigos), criando obstáculos a uma comunicação interna fluída.

Se em condições normais a mudança causa constrangimentos, perante uma situação inesperada e com pouco tempo de adaptação maiores são as dificuldades, perante este cenário bem real de mudar de um dia para o outro, como pode uma organização manter a cola, que é a comunicação interna, bem segura como garante da união das suas Pessoas?

Em contexto pandémico importa que a comunicação interna garanta que a informação fluí em tempo real para todos os interessados, tendo em mente que a afixação de posters e distribuição de folhetos nesta fase não produzem efeito, são vários os estudos que apontam que as notificações de intranet ou os emails gerais são ignorados pelos trabalhadores, como podemos então faze chegar a mensagem? Ao mesmo tempo importa ter presente que a informação pode e deve ser segmentada conforme a relevância da informação para a função de cada um, e acima de tudo importa lembrar que a comunicação corporativa deve ser bidirecional, logo importa termos em mente que deve estar aberta a porta a questões.

Esta mudança súbita colocou a nu a fragilidade que algumas organizações tinham no que à comunicação com as suas Pessoas reporta, neste ano muitas destas reinventaram-se, e num futuro próximo não devem deixar cair as tecnologias de comunicação, que colocaram à disposição dos seus trabalhadores, por forma a mantê-los engajados e parte do todo. Sendo o ser humano, na sua natureza um animal social, e tendo estado privado dessa natureza, as organizações deveriam ponderar uma cultura de reconhecimento dos seus talentos por forma a que todos saibam “quem é quem” e acima de tudo com muito suporte da organização para a recuperação mental de todos.

Assim, importa que todos pensemos como vamos adaptar a comunicação no local de trabalho, porque a Pessoa não é apenas um posto de trabalho, como vamos comunicar positivamente, para que esta aprendizagem não tenha sido em vão e para que o caminho não tenha que ser redesenhado.

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