
Agile Leadership: da buzzword à prática
Por Carlos Sezões, Managing Partner da Darefy – Leadership & Change Builders
Agile Leadership é uma daquelas buzzwords que, na minha óptica, é bastante apregoada mas pouco compreendida. E ainda menos praticada. É fácil associá-la a estruturas flexíveis, reuniões rápidas, em stand-up, post-its ou dashboards dinâmicos na parede da sala do CEO. No entanto, a essência da liderança ágil e adaptável não é um processo – é uma mentalidade sustentada por comportamentos diários que moldam a forma como o trabalho se estrutura e a forma como as pessoas lideram ou são lideradas.
Na sua essência, uma liderança ágil visa criar um ambiente onde os indivíduos e as equipas se possam adaptar rapidamente, aprender continuamente e apresentar resultados com impacto. Isto requer líderes que deixem de colocar a tónica em controlar e direcionar tarefas para capacitar e apoiar as suas pessoas. Em vez de terem todas as respostas, os “Líderes Ágeis” fazem perguntas poderosas. Em vez de elaborarem um plano perfeito antecipadamente, cultivam condições para o pensamento estratégico, a experimentação e a aprendizagem.
A mudança de minset assenta em transições significativas, que vão para além da semântica. Para começar, do comando “puro e duro” ao empowerment. Os líderes ágeis reconhecem que aqueles que estão mais próximos das operações têm, geralmente, os insights mais relevantes. Como tal, descentralizam a tomada de decisões por várias posições-chave, ajudando as equipas a ganhar confiança, autonomia e responsabilidade. A autoridade torna-se partilhada.
Depois, da previsão e planeamento rígido à percepção e resposta rápida. Enquanto a liderança tradicional depende fortemente das previsões e do controlo, os líderes ágeis ajustam-se à incerteza. Trabalham em ciclos curtos, recolhem feedback rapidamente e ajustam a direção com base em dados reais, just in time.
Outra mudança é a do líder auto-suficiente para uma efectiva collective intelligence. A liderança ágil reconhece que a inovação emerge da colaboração. Como tal, os líderes criam espaço para perspetivas diversas e segurança psicológica, garantindo que manifestar-se e desafiar as premissas e o status quo não é apenas bem-vindo, mas também incentivado.
Por último, passar do paradigma da gestão de tarefas ao desenvolvimento de Pessoas. Em vez de medir o sucesso apenas pelos resultados, os líderes ágeis concentram-se no desenvolvimento de capacidades da sua equipa. O seu papel é desenvolver colaboradores proactivos, solucionadores de problemas, não meros executantes.
Em suma, uma Agile Leadership baseia-se na escuta activa, curiosidade e na partilha transparente de aprendizagens dos líderes. E na remoção de barreiras organizacionais em vez da imposição de “camadas de controlo”.
Quando os líderes demonstram estes comportamentos de forma consistente, as equipas tornam-se mais adaptáveis, empenhadas e capazes de navegar em ambientes complexos. E o trabalho deixa de ser percepcionado pelo cumprimento de processos e normas e passa a ser visto como contributo e impacto. Para quem desejar implementar este minset de liderança, permitam-me relembrar: as organizações transformam-se não por decreto, mas pela cultura – uma interação e um comportamento de cada vez.