Algoritmos e Afectos: a nova Era na Gestão de Pessoas

Por Ricardo Florêncio

Bem-vindos à nova Era na Gestão de Pessoas. Neste novo mundo digital, a Gestão de Pessoas vive uma transformação profunda, marcada por dois temas que podem ser antagónicos ou colaborativos: os algoritmos e os afectos.

Por um lado, a inteligência artificial e a análise de dados oferecem ferramentas poderosas para compreender padrões, prever necessidades e optimizar processos de recrutamento, desempenho e retenção de talentos. Os algoritmos ajudam a identificar competências, medir produtividade, analisar comportamentos e, assim, antecipar alguns tipos de problemas, permitindo decisões mais rápidas e com bases fundamentadas.

Contudo, e não obstante este novo mundo, muito há ainda por fazer, e aperfeiçoar, em toda esta inteligência artificial e algoritmos. E, apesar de tudo – e acima de tudo –, o elemento humano continua a ser insubstituível. A empatia, a escuta activa e a capacidade de criar, e de manter, relações interpessoais são essenciais para inspirar equipas e promover um ambiente são e saudável. Na verdade, é este elemento humano que marca a diferença, que constrói a confiança, mas que também a pode destruir.

As empresas e organizações exigem líderes capazes de interpretar dados sem perderem de vista a individualidade de cada colaborador. Nesta fusão entre tecnologia e humanidade, o desafio é mesmo o equilíbrio. Onde fica esse equilíbrio? Onde acaba a máquina e deve entrar o humano? Até onde pode ir a máquina? Quais os limites? Que decisões deverão apenas caber a humanos? Ou, no futuro, não haverá mesmo limites?

Assim, a Gestão de Pessoas, na nova Era, será tanto mais eficaz quanto se conseguir unir o rigor da ciência de dados ao calor das relações humanas, transformando a tecnologia num grande e poderoso aliado.

Este vai ser o grande tema da 30.ª Conferência da Human Resources, já marcada para dia 23 de Outubro.

Editorial publicado na revista Human Resources nº 176, de Agosto de 2025

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