Ana Petrucci, Intelcia: Risco claro de desalinhamento entre inovação e capacitação

Ana Petrucci, HR and Brand & Engagement Director da Intelcia, revela que «o desafio não está apenas na adopção tecnológica, mas na capacidade de preparar equipas e líderes para a integrar. A formação, o upskilling e a gestão estratégica do talento serão decisivos para transformar a IA, não num factor de retracção, mas num motor de crescimento e valorização organizacional».

 

«Neste 62.º Barómetro, a projecção do emprego para 2026 revela um cenário de estabilidade: mais de metade dos inquiridos (55%) acredita que os níveis se manterão e 27% antecipa um crescimento até 3%. Este equilíbrio sugere um optimismo prudente por parte das organizações que, na minha perspectiva, reflecte o contexto actual de alguma incerteza económica e tecnológica.

Os dados reforçam que os desafios centrais da Gestão de Pessoas continuam a ser a atracção e retenção de talento (45%) e a inteligência artificial (43%). O paralelismo entre estes dois temas mostra que as empresas reconhecem que a competitividade futura dependerá da capacidade de integrar pessoas e tecnologia de forma estratégica.

Relativamente à IA, sobretudo a generativa, os respondentes indicam um aumento consistente da sua utilização: 37% moderado, 24% significativo e 5% muito significativo. Embora revele avanços sólidos, o ritmo desigual sugere que a maturidade digital ainda varia amplamente entre organizações.

Já no horizonte de cinco anos, o impacto da IA no emprego é visto com maior pessimismo. Metade dos respondentes acredita que destruirá mais postos de trabalho do que criar, 28% prevê um equilíbrio e apenas 10% espera criação líquida de emprego. Esta percepção indica um risco claro de desalinhamento entre inovação e capacitação e reforça a necessidade de uma análise mais cuidada e de investimento em formação e capacitação.

Considero que estes resultados evidenciam que o desafio não está apenas na adopção tecnológica, mas na capacidade de preparar equipas e líderes para a integrar. A formação, o upskilling e a gestão estratégica do talento serão decisivos para transformar a IA, não num factor de retracção, mas num motor de crescimento e valorização organizacional.

 

Este testemunho foi publicado na edição de de Dezembro (nº. 180) da Human Resources, no âmbito do seu LXII Barómetro.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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