
Combater a mudança com mudança: inovação num mundo VUCA
Por Daniel Gelsing, codirector do executive master em Innovation Strategy and Entrepreneurship da Porto Business School
Em quase todos os aspectos imagináveis, as empresas de todo o mundo operam em mudanças a um ritmo impressionante. Desde os movimentos da concorrência ao xadrez geopolítico, os líderes precisam de ser capazes de lidar diariamente com realidades em constante transformação e com um número cada vez maior de interdependências entre as suas organizações e o ambiente envolvente. Perante este cenário, a pergunta de um milhão de dólares na cabeça de todos é assustadora: como podemos navegar com sucesso neste mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA)?
Embora existam muitas respostas possíveis, defendo que, para prosperar, temos de combater a mudança com mudança. Ou seja, temos de inovar constantemente e criar novos processos, produtos e formas de pensar, tanto dentro de nós mesmos como em todas as organizações que lideramos. Precisamos de aprender a sentir-nos confortáveis com a inquietação de não saber para onde a mudança nos levará e inspirar os outros a fazer o mesmo. Só assim é que a inovação se pode tornar em mais do que apenas uma ferramenta: a nossa bússola orientadora.
À primeira vista, essa abordagem pode parecer contraproducente, uma vez que já estamos a lutar para lidar com toda a incerteza ao nosso redor. Muitas vezes, temos de admitir que não sabemos o que vai acontecer no futuro, por melhores que sejam os nossos modelos. Então, porque é que iríamos acrescentar mais complexidade ao inovar, em vez de nos concentrarmos no que fazemos melhor? A razão está no conceito de fitness landscapes.
As fitness landscapes são um conjunto de picos numa paisagem montanhosa, representando a indústria e os potenciais resultados associados a determinadas estratégias. Quanto mais alto o pico, melhor o resultado. O nosso objectivo como líderes é, portanto, encontrar o pico mais alto o mais rápido possível e ocupá-lo antes que a concorrência o faça. No entanto, não conhecemos a paisagem e, portanto, corremos o risco de nos deslocarmos para um local mais baixo do que antes. Além disso, a concorrência pode chegar lá antes de nós, caso em que teremos de nos contentar com uma receita menor.
É por isso que a inovação é tão poderosa: porque nos permite mudar completamente a fitness landscape. Ou seja, enquanto todos os outros estão a pesquisar na “paisagem” A abaixo, a inovação permite-nos procurar na B e, assim, colher benefícios maiores, mesmo que não estejamos no pico mais alto. Essencialmente, começamos a jogar um jogo completamente diferente. Mesmo que a concorrência se mova para um pico mais alto, esse pico ainda é mais baixo do que muitos dos picos da nossa “paisagem”, permitindo que a nossa organização se torne uma verdadeira líder no sector.
Traçar um caminho estratégico num mundo VUCA é um dos desafios mais urgentes que os líderes enfrentam actualmente. Para prosperar, as empresas devem usar a inovação como bússola orientadora e combater a mudança com a sua própria mudança. Ao aproveitar a inovação como uma força positiva, as empresas podem romper com os padrões organizacionais e industriais e realmente florescer. O caminho pode ser longo e a jornada cansativa, mas a vista do topo da montanha é incomparável.