Como o bem-estar está a ser integrado nas organizações

No dia 2 de Outubro, o Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, em Lisboa, acolheu a segunda edição do Well-Being Lisboa, uma conferência dedicada ao bem-estar nas organizações.

O evento reuniu, uma vez mais, empresas e especialistas de diferentes sectores de actividade para debater temas relacionados com o bem-estar, desde segurança psicológica, stress, burnout, saúde física e mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, inteligência artificial e humanismo. Com mais de 35 oradores e centenas de profissionais a assistir, o evento destacou práticas, experiências e reflexões sobre o futuro das organizações centradas nas pessoas, e contou ainda com workshops práticos para aprofundar os temas das palestras.

A abertura oficial do evento foi assegurada por Daniela Lima, founder e managing Partner da Swaifor, e Ricardo Sousa, director Business Solution Iberia da Workplace Options (os dois organizadores do evento), que passaram a palavra a Kennette Thigpen, Chief Clinical Officer (CCO) da WPO e CEO da Welltrust Partners, que conduziu a primeira sessão, intitulada “Psychological Safety Isn’t a Perk, It’s a Plan”.

A oradora internacional começou por perguntar aos convidados qual o momento de que mais se orgulham? A pergunta serviu de ponto de partida para a plateia reflectir sobre a importância de expressarem momentos felizes, tanto na vida pessoal como no trabalho. Em seguida, propôs uma nova reflexão, desta vez sobre a importância da segurança psicológica no trabalho, e como esta influencia a liberdade dos profissionais para expressarem as suas experiências menos positivas, sem medo de serem julgadas.

 

Saúde e cultura organizacional
“A Cuidar de Portugal: A Nova Agenda da Saúde e do Bem-Estar” foi a segunda sessão do dia e teve a participação de Helena Faria, vogal da APG e head of Career Services, e de Júlio Pedro, sub-director da Direcção-Geral da Saúde (DGS). A conversa destacou o trabalho desenvolvido na área da saúde ocupacional, com especial foco no contexto das organizações e do trabalho.

O sub-director revelou que a visão para o Plano Nacional de Saúde é tornar «a saúde sustentável de todos para todos». Para lidar com a saúde sustentável, o Programa Nacional de Saúde Ocupacional (PNSOC), da DGS, apresenta um sistema de indicadores de saúde operacional que monitoriza, entre outros aspectos, a cobertura dos serviços de saúde do trabalho. «Através deste Plano conseguimos direccionar programas que têm impacto na saúde dos nossos trabalhadores», afirmou Júlio Pedro.

O debate seguinte trouxe uma reflexão sobre a “Interculturalidade do Bem-Estar – Como o Bem-Estar se Expressa em Diferentes Culturas”, moderado por Eliana Medeiros, vice-presidente da Comissão Executiva CP-CPLP, e com a participação de Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil, e Generosa do Nascimento, presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas (APG).

Leyla Nascimento iniciou a sessão com uma breve contextualização sobre o bem-estar e a cultura, referindo que, no Brasil, antes da pandemia da COVID-19, a consciência pública sobre os desafios relacionados ao bem-estar era mais limitada. Nesse sentido, a Associação Brasileira de Recursos Humanos surgiu como um canal de suporte às empresas e organizações que necessitavam de se transformar e de adaptar as suas políticas empresariais à nova realidade mundial.

Já Generosa do Nascimento afirmou que «a saúde e o bem-estar são aspectos críticos na gestão estratégica de pessoas», reforçando que é, também, um dos pilares da APG. A presidente destacou a importância de reconhecer as diferenças culturais entre países, revelando que as políticas de qualidade de vida, saúde e bem-estar diferenciam-se de cultura para cultura, e que deve haver uma preocupação não só com a diversidade geracional, mas também com a diversidade cultural.

 

Liderar com propósito
Avançando no programa, Liliana Pitacho, psicóloga clínica e consultora de Well-Being, Daniela Lima, da Swaifor, e Ângelo Girão, empresário e ex-guarda-redes do Sporting Clube de Portugal e da Selecção Nacional de Hóquei, discutiram o tema “Liderar sem Queimar: Alta Performance e Bem-estar”, reflectindo sobre a importância do bem-estar social nas organizações.

Daniela Lima observou que muitas das iniciativas desenvolvidas pelas organizações surgiam isoladamente, no entanto começam agora a criar estruturas mais sólidas e coerentes. Por sua vez, Ângelo Girão defendeu o impacto das relações sociais no desempenho das equipas, destacando a importância do bem-estar colectivo em vez do individual, partilhando que o «balneário é sinónimo de família».

No painel, abordou-se também o conceito de segurança psicológica, fundamental tanto para as organizações como para o desporto de alta performance, onde os atletas necessitam desse ambiente seguro para conseguirem evoluir e alcançar o seu melhor desempenho. O ex-atleta destacou o papel do líder na promoção do bem-estar e da coesão da equipa, em que o importante é que o colectivo sobressaia, e não o individual.

Concordando, a managing partner da Swaifor acrescentou que o desafio é disponibilizar aos líderes as ferramentas e técnicas mais adequadas, para que consigam criar um ambiente psicologicamente seguro. Já Liliana Pitacho destacou a importância de os líderes adaptarem o seu comportamento à realidade da equipa e ao momento que a organização atravessa.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Outubro (nº. 178) da Human Resources, nas bancas.

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