
Como se constrói um líder
“Liderança Transformacional – Ambição Pessoal com Impacto Social” foi o repto de mais um Dream Day, da PWN Lisbon. O resultado foi um mapeamento desse percurso e uma radiografia completa do que “é feito” um verdadeiro líder.
Por Tânia Reis
A 14.ª edição do PWN Lisbon Dream Day reuniu, no Sud, em Lisboa, mais de 400 pessoas para reflectir sobre “Liderança Transformacional – Ambição Pessoal com Impacto Social”. Conduzida pela apresentadora de televisão Maria João Costa, ouviram-se histórias de vida, lições transformadoras, partilhas inspiradoras, alertas e apelos, mas também aplausos, momentos de introspecção e gargalhadas.
A manhã teve início com Conceição Zagalo, empreendedora social, que levou os presentes numa viagem por uma vida repleta de experiências marcantes, que começou bem cedo, em família. Foi com a «avó Júlia, uma mulher de outro século, com uma força interior e uma capacidade de liderança brutal» que aprendeu a sorrir para a vida e recordou a grande lição do pai, que a ajudou a resolver as questões por si própria, marcando a sua trajectória. Percorreu a sua carreira de quatro décadas na IBM, que começou por funções administrativas, secretariado, passando pela gestão, comunicação e cidadania corporativa, culminando com posições de liderança.
Destacou outros marcos, como o casamento, o nascimento das filhas e dos netos, a expatriação no Vietname – que descreveu como «once in a lifetime experience» – os projectos de responsabilidade social através do GRACE e a Semana Internacional do MBA, da AESE, em Tóquio. Para Conceição Zagalo, todas estas vivências reforçaram um lema que cedo adoptou, «The more you ask, the more you get».
Nos últimos 14 anos, dedicando-se maioritariamente ao trabalho pro bono e ao voluntariado, em Portugal e em países como Cabo Verde, São Tomé e Timor, sublinhou que «fazer voluntariado é para fazer bem feito», com profissionalismo e alegria, e que este tipo de missão exige responsabilidade e amor. Aliás, ao reflectir sobre os princípios que norteiam a sua vida, escolheu «três vértices: liderar, servir e amar». E, após mais de meio século, concluiu que «com razão, com coração, muita inteligência, muita capacidade também de inteligência emocional», se revê mais no mote «the more you give, the more you get».
O legado da família
O primeiro painel abordou a influência das raízes familiares na formação de líderes, numa conversa moderada por Aida Chamiça, coach de Gestão de Topo, com Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, e João Maria Jonet, vereador da Câmara Municipal de Cascais, tendo ficado patente a forte ligação entre tia e sobrinho.
Isabel Jonet começou por destacar que a família é a base de tudo, é onde se aprendem as artes de «negociar, sobreviver e ser feliz». E esse legado de valores e integridade são inegociáveis, inclusive na carreira. «Não podemos nunca submeter-nos, conformar-nos, admitir coisas que vão contra aqueles valores que fomos aprendendo», defendeu.
João Maria Jonet, por sua vez, reconheceu o privilégio de ter nascido numa família que lhe transmitiu rigor e desafios intelectuais, considerando isso uma responsabilidade. «Se eu partia com o avanço que o privilégio me dá, tinha de cumprir com um nível de exigência que não seria o de qualquer outra pessoa.» Sublinhou que essa exigência familiar acabou por moldar a sua visão de serviço público e a ideia de que «a vida não deve ser apenas sobre ganhos monetários, mas sobre quanto valor se pode criar para a sociedade».
Ambos partilharam histórias pessoais que ilustram a importância da resiliência na liderança. Isabel Jonet recordou a postura estóica da mãe perante adversidades afirmando que «a liderança não é mandar, mas orientar e tirar o melhor de cada um», e o sobrinho João Maria recordou como as responsabilidades domésticas assumidas aos 10 anos, devido à separação dos pais, lhe deu a capacidade de decisão rápida e a consciência das desigualdades de género.
Ainda que não partilhem o mesmo sangue, ambos reconheceram traços comuns. Isabel Jonet elogiou no sobrinho a determinação e a capacidade de adaptação, características que considera essenciais para liderar. João Maria destacou no estilo da tia a exigência e a preparação para a autonomia, um modelo que procura replicar na vida política.
O poder da educação
Seguiu-se mais um painel, este moderado por Rita Romão, da PWN Lisbon, e centrado no papel da educação e da academia como motores de transformação e impacto social. A conversa reuniu Nélia Câmara, directora das escolas executivas da NOVA FCT, Filipe Santos, professor e especialista em inovação social, e Pedro Pinto de Almeida, fundador da Teach for Portugal.
Nélia Câmara começou por abordar as assimetrias de género na educação, alertando que a igualdade não é apenas uma questão feminina, exemplificando que Portugal conta com cerca de 54% de mulheres no ensino superior, porém os homens apresentam taxas mais elevadas de insucesso e abandono, em parte devido a factores neurocientíficos e ao modelo pedagógico desactualizado.
Pedro Pinto de Almeida trouxe a perspectiva da Teach for Portugal, organização que combate a desigualdade educativa em contextos vulneráveis. Para ele, liderar é uma escolha diária. «Liderar não é o cargo, é a escolha de servir os outros.» Explicou que a transformação começa pelo autoconhecimento e pela criação de ambientes de pertença, onde se valoriza
Leia o artigo na íntegra na edição de Dezembro (nº.180) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.