Continental Mabor: Flexibilidade e alinhamento com os valores da empresa

Human Resources
27 de Maio 2022 | 13:20

Também no ramo automóvel os últimos dois anos trouxeram desafios e transformação ao mercado de trabalho.

Na Continental Mabor, os processos de recrutamento e selecção obedecem a uma standardização que não depende do modelo de trabalho atribuído ao cargo, ou seja, é indiferente se o novo colaborador irá executar as suas funções presencialmente ou não. Apesar das transformações que os últimos dois anos provocaram, Carlos Gonçalves, head of HR Country & HR Location da Continental Mabor afirmou que o trabalho remoto não é uma novidade na empresa e que as soft skills são, cada vez mais, um critério fundamental no momento de recrutar.

 

Quais as mudanças dos últimos dois anos que se tornaram definitivas no recrutamento e selecção da Continental Mabor?
Enquanto indústria multinacional do ramo automóvel, estamos inseridos num ambiente de constante desafio, exigência e mudança, que naturalmente nos exige uma adaptação às diferentes necessidades dos nossos clientes e mercados. Os nossos processos de recrutamento e selecção, fundamentais na gestão do capital humano, desde há muito que se têm vindo a adaptar em função dos diferentes perfis que recrutamos, nomeadamente os respeitantes às áreas tecnológicas, de Inovação e Investigação & Desenvolvimento, que podem estar em vários pontos do mundo. Nos últimos dois anos assistimos a um consolidar destas adaptações, nomeadamente, a possibilidade de realização de todos os momentos de avaliação online.

 

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Quais as fases fundamentais do processo de recrutamento desde a candidatura até à admissão?
Em primeiro lugar é necessário ressalvar que uma proporção significativa dos nossos processos de recrutamento e selecção é 100% em contexto interno. Por esta razão só faz sentido que todos os processos, internos ou externos – assegurados parcialmente por entidades externas, sejam o mais standardizados possível em termos de fases, e o mais específicos e adaptados possível à respectiva função.

É fundamental a realização de avaliações psicotécnicas e de provas de grupo, além das fases habituais (triagem curricular, entrevista exploratória inicial, etc.).

 

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A utilização de novas tecnologias para o processo de recrutamento e selecção trouxe que tipo de vantagens e desvantagens no contexto da Continental Mabor?
Diria que as que trouxe para todas as empresas, a flexibilidade e rapidez, por um lado, e a “distância” e maior dificuldade em validar soft skills, por outro. Apesar de o online ter sido o canal necessariamente privilegiado durante este período, consideramos mais vantajoso para candidatos e avaliadores manter a realização do processo em modo presencial (cenário anterior à pandemia). Permite aos candidatos sentir e vivenciar in loco a totalidade da experiência, e aos nossos avaliadores uma avaliação muito mais “próxima”.

 

Houve mudanças substanciais também no processo de recrutamento para funções 100% presenciais?
O nosso processo, conforme referi anteriormente, é muito standard, por isso, o que fazemos para funções híbridas fazemos para as funções 100% presenciais. Talvez a maior mudança não tenha sido no processo, mas o facto de as funções hoje serem desempenhadas com maior flexibilidade em termos de local de trabalho.

 

Além das competências técnicas, o que procuram hoje nos vossos candidatos?
Consideramos essencial que os nossos candidatos estejam alinhados com os nossos valores e pilares – liberdade para agir, paixão por vencer, uns pelos outros e confiança – o que se traduz em motivação para a aprendizagem activa, curiosidade, proactividade e iniciativa, capacidade de comunicação e tomada de decisão acompanhadas de pensamento crítico e auto-reflexão. A adaptabilidade e flexibilidade, a resiliência, colaboração e o trabalho em equipa, são competências extremamente valiosas na nossa cultura organizacional, independentemente da função.

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Sentem que as expectativas dos candidatos mudaram nestes últimos dois anos?
Sentimos algumas mudanças, mas nada que possamos atribuir à questão pandémica. Nas novas gerações sentimos a preocupação com a sustentabilidade da organização e o desafio como motor da acção. A grande maioria procura uma empresa estável, com um ambiente desafiante, que permita crescer todos os dias e seja a base para atingirem os objectivos e sonhos pessoais. Notamos que os nossos candidatos têm melhor noção das opções que existem, e escolher a Continental é uma decisão informada e ponderada.

Devido às novas áreas que acolhemos na fábrica nos últimos anos, tecnológicas, de Inovação, temos candidatos com expectativas distintas, que pretendem uma experiência de inovação e estímulos constantes, consolidar competências e participar em projectos específicos de desenvolvimento, o que representa outro tipo de desafio na gestão de talentos.

 

Que novos desafios existem agora no processo de recrutamento e que não existiam antes da pandemia?
Na fase final do processo, de selecção e proposta, temos notado uma insegurança generalizada na tomada de decisão de deixar a empresa onde o candidato está e “trocar o certo pelo incerto”, algo que sentimos que foi muito agravado pela situação na Ucrânia.

 

Que tipo de transformações ainda é preciso fazer e quais as prioritárias?
As nossas prioridades são as mesmas: adaptarmo-nos o melhor possível às exigências do mercado e dos candidatos, mas acima de tudo, garantir que os nossos colaboradores se sentem seguros, acompanhados e valorizados. Mais do que alterar o nosso processo de recrutamento e selecção radicalmente, a nossa prioridade é a que sempre foi: a retenção e motivação dos nossos colaboradores, neste ambiente de incerteza que a indústria automóvel atravessa.

 

Nas funções que o permitem os novos modelos híbridos de trabalho são igualmente eficazes no enquadramento e adaptação dos novos colaboradores?
Os modelos híbridos não são novidade para nós, nem para os nossos colaboradores. Nos últimos dois anos, tivemos mais colaboradores a utilizá-los, mas sendo uma indústria, tanto nós enquanto empresa, como os nossos colaboradores privilegiamos o presencial. Tendo todas as opções disponíveis e a gestão a cargo de cada um, estamos quase todos a trabalhar presencialmente. Em casa podemos ter mais facilidade em realizar certas tarefas que exigem um nível elevado de concentração, mas há muitas coisas que perdemos: o contacto com os colaboradores, com o Shopfloor, e que são essenciais no nosso trabalho.

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Recrutamento e Selecção” publicado na edição de Maio (n.º 137) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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