Coronavírus pode originar a maior experiência de trabalho remoto do mundo

Margarida Lopes
2 de Março 2020 | 12:13
Coronavírus pode originar a maior experiência de trabalho remoto do mundo

Devido ao surto de coronavírus, trabalhar de casa pode não ser um privilégio, mas uma necessidade. De acordo com a Exame, actualmente, a maioria das pessoas na China ainda está de férias devido ao ano novo lunar, mas, quando empresas chinesas reiniciarem as operações, é provável que a maior experiência de trabalho remoto do mundo tenha início.

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«É uma boa oportunidade para testarmos o trabalho de casa em grande escala», disse Alvin Foo, director da Reprise Digital, uma agência de publicidade de Xangai com 400 colaboradores que faz parte do Interpublic Group.

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Muitas empresas estão a organizar reuniões de clientes e discussões em grupo através de aplicações de videochat ou a discutir planos em plataformas de software de produtividade como o WeChat Work ou o Slack-like Lark, da Bytedance.

Um banqueiro de Hong Kong disse que vai prolongar as férias no estrangeiro, pois pode trabalhar de qualquer lugar com um computador e um telefone. Outros dizem que estão a usar o tempo gasto normalmente para ir buscar clientes, para fazer o balanço atrasado das despesas de viagem. Um executivo disse que mudou o foco para negócios no sudeste da Ásia.

«Ninguém está a participar nas reuniões, a minha agenda está bastante vazia», disse Jeffrey Broer, consultor de projectos em Hong Kong.

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Alguns gestores temem que o êxodo dos escritórios diminua a produtividade, mas há estudos que compravam o contrário.

Um estudo de 2015 da Universidade Stanford, na Califórnia, revelou que a produtividade entre colaboradores de call center da agência de viagens chinesa Ctrip aumentou 13% quando trabalhavam de casa devido a menos pausas e ambientes de trabalho mais confortáveis.

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Embora o vírus possa testar essa teoria numa escala mais ampla, o surto representa uma ameaça existencial para outro novo modelo de negócios, os espaços de coworking, que se multiplicaram nas grandes cidades chinesas nos últimos anos com a disparada do aluguel de imóveis e expansão de startups de tecnologia.

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«Será um período muito difícil», disse Dave Tai, vice-director da Beeplus, um espaço de coworking e padaria na China com 300 colaboradores.

 

A Direcção-Geral da Saúde também recomenda o teletrabalho

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Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) também aconselha as empresas a recorrerem a formas alternativas de trabalho como o teletrabalho, reuniões em vídeo e teleconferência e evitar reuniões em salas.

Com dois casos de coronavírus confirmados em Portugal, relembramos as recomendações da Direcção-Geral da Saúde às empresas:

– Ter um plano de contingência específico para responder a um cenário de epidemia pelo novo coronavírus e divulgá-lo junto de todos os colaboradores. «A empresa deve estar preparada para a possibilidade de parte (ou a totalidade) dos seus trabalhadores não ir trabalhar, devido a doença, suspensão de transportes públicos ou encerramento de escolas, entre outras situações possíveis», diz a entidade liderada por Graça Freitas.

– Identificar os profissionais de saúde a contactar e manter acessível contacto do médico trabalhador responsável.

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– Estar preparadas para o caso de ter trabalhadores suspeitos com o vírus, estabelecendo uma área de isolamento e os circuitos até ela, para restringir o contacto directo dos restantes trabalhadores com o doente. Grandes empresas ou outras com vários estabelecimentos podem definir mais do que uma área de isolamento.

Essa área deve ter ventilação natural, ou sistema de ventilação mecânica, possuir revestimentos lisos e laváveis, estar equipada com telefone, cadeira ou marquesa para descanso do trabalhador, enquanto aguarda a validação de caso e o eventual transporte pelo INEM, um kit com água e alguns alimentos não perecíveis, contentor de resíduos, solução antisséptica de base alcoólica no interior e à entrada, toalhetes de papel, máscaras cirúrgicas, luvas descartáveis e termómetro. Nesta área, ou próxima desta, deve existir uma instalação sanitária devidamente equipada, nomeadamente com doseador de sabão e toalhetes de papel, para a utilização exclusiva do trabalhador com sintomas.

– Os trabalhadores com sintomas suspeitos devem contactar o SNS 24 (808 24 24 24).

 

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