Costuma fazer scroll no LinkedIn? Cuidado, pode provocar insegurança, síndrome do impostor e burnout

Numa publicação recente no Reddit que perguntava “O que é que está quase toda a gente claramente a fingir, mas ninguém admite?”, uma das respostas mais frequentes foi “LinkedIn”. Segundo a Worklife, a rede social profissional evoluiu de um networking digital para um desfile de promoções e ostentações humildes.

A “inveja do LinkedIn” é aquela sensação de desânimo, ao percorrer o feed, de que não se realizou profissionalmente e que todos os outros estão melhor — e é um conteúdo que alguns especialistas em ambiente de trabalho dizem que pode estar, silenciosamente, a destruir a autoconfiança.

Alex Lovell, director de investigação da O.C. Tanner, vê a Geração Z e os Millennials, em particular, a tratarem o LinkedIn como «um ranking público de sucesso profissional» — um ranking pelo qual o profissional acaba por se julgar em vez de celebrar as conquistas dos outros.

Margaret Buj, recrutadora da plataforma Mixmax e uma das “Top Voices” do LinkedIn, com mais de 43 mil seguidores, descreve o site como «um feed com curadoria de teatro de sucesso profissional».

Mesmo sendo uma utilizadora dedicada, sugere que o scroll interminável pelas conquistas na carreira pode desencadear insegurança, síndrome do impostor e burnout — especialmente entre os trabalhadores mais jovens.

Catherine Fisher, especialista em carreiras do LinkedIn, vê uma dinâmica diferente. Como geração orientada para o digital, «a Geração Z sabe que o doomscrolling é algo que querem evitar», afirma. Muitos utilizadores mais jovens adoptam uma abordagem mais intencional, salienta, utilizando o LinkedIn para acompanhar trabalhos inspiradores, manter-se actualizados sobre as suas competências e expandir as suas redes.

Ao contrário das publicações do Facebook sobre férias em família ou das fotos de moda ou comida do Instagram, o LinkedIn visa a carreira. «As comparações profissionais são mais profundas porque tocam em valores fundamentais: responsabilidade, ética de trabalho, criatividade — as coisas das quais as pessoas se orgulham», explica Alex Lovell. Quando alguém vê mais uma publicação sobre uma promoção, começa a questionar todo o seu valor profissional, acrescenta.

Steve Taplin, CEO da Sonatafy Technology e outro utilizador activo do LinkedIn, com mais de 28 mil seguidores, acredita que o site apenas expõe um problema mais profundo: «Criámos uma cultura no local de trabalho onde a vulnerabilidade ainda é tratada como uma fraqueza.»

A armadilha da comparação agrava-se porque, muitas vezes, as publicações mais populares são aquelas que apresentam as maiores histórias de sucesso. As pessoas já não se estão a comparar apenas com colegas — estão a comparar-se com centenas de destaques profissionais seleccionados.

Os utilizadores do LinkedIn são rápidos a apontar os benefícios da plataforma. «E se as histórias sobre vitórias profissionais inspirarem realmente as pessoas e as motivarem a acreditar que tais vitórias são possíveis?», questiona a coach de storytelling Amanda Hirsch.

Entretanto, a coach de carreira Phoebe Galvin defende que a comparação tem mais a ver com o instinto humano do que com qualquer plataforma social: «O LinkedIn é o local onde comparamos as nossas carreiras porque ele existe literalmente para ser um portefólio profissional.»

Catherine Fisher, do LinkedIn, sublinha que o impacto depende da abordagem individual de cada utilizador. E recomenda a utilização do botão “X” para ocultar o conteúdo de pessoas cujas publicações despertam constantemente sentimentos negativos, bem como seguir pessoas que oferecem «conselhos úteis, conversas reais e inspiração que pode realmente utilizar» e interagir com outros utilizadores através de gostos e comentários como «uma forma descomplicada de participar na conversa».

O problema maior pode não ser uma plataforma social, mas sim criar ambientes de trabalho onde as pessoas se sintam seguras nas suas contribuições. Como diz Buj: «O vídeo de outra pessoa não invalida o seu progresso. As carreiras não são uma corrida — são um caminho pessoal.»

Fisher sugere que o feed «deve fazer com que se sinta informado, conectado e talvez até um pouco entusiasmado com o que vem aí — e não como se estivesse a ficar para trás. Alguns pequenos ajustes, uma mudança de mentalidade e uma pitada de curiosidade podem mudar completamente a forma como o LinkedIn se apresenta na sua vida.»

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