
Em terra de IA, quem tem human skills é rei
Fim do ano, altura por excelência não só para balanços, mas também para perspectivar o que aí vem. Numa reflexão sobre quais serão os principais temas nas empresas em 2026, sobretudo para os directores de Pessoas, o foco foi inevitavelmente parar à inteligência artificial (IA). As certezas são poucas – ou nenhumas – mas uma coisa parece certa e consensual: serão as competências humanas a fazer a diferença.
Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho
Talvez ainda de forma tímida e pouco expressiva na maioria dos casos, mas a inteligência artificial já está a mudar a forma como trabalhamos. E de forma “silenciosa” e (ainda) discreta, mas já começa a substituir algumas tarefas e até funções, nomeadamente as de “low add value” e “high volume”. Se ainda não se nota uma redução, significativa, nos postos de trabalho, mais evidente é que as competências necessárias estão a mudar rapidamente. Isso mesmo é já visível nos departamentos de Recursos Humanos, por exemplo, que não só estão a perceber que não precisam aumentar equipas, como até as podem reduzir, pois muitas tarefas “time consuming” são agora asseguradas pela tecnologia.
Algumas empresas, sobretudo as grandes, estão a investir em ferramentas de IA, com a promessa de aumento de produtividade e, a médio prazo, redução de custos. Mas será que estão a investir também em literacia digital? Em capacitar as pessoas para usar as ferramentas? A par com a capacitação, surge outro tema fundamental: o espírito crítico. Há quem afirme que o maior risco que corremos com a IA generativa não é a perda de emprego, é a perda de capacidade de pensar, de espírito crítico. Por outro lado, as pessoas têm de ter consciência do imperativo de se capacitarem, de estarem disponíveis para a mudança. Estão? E essa capacitação não se restringe a competências técnicas. Ainda que sejam imprescindíveis, serão as competências humanas que vão ser verdadeiramente diferenciadoras, mas também mais difíceis de desenvolver. Onde está o foco das empresas – e das pessoas? E não perder o foco será “palavra” de ordem para 2026.
O almoço do Conselho Editorial realizou-se no hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, e contou com a participação de: Ana Gama Marques (MEO), Ana Rita Lopes (Delta Cafés/Grupo Nabeiro), Clara Trindade (L’Oréal), Francisco Viana (CGD), Isabel Borgas (NOS), Joana Pita Negrão (Dils), Marco Serrão (Nadara), Maria João Martins (My Change), Maria Kol (Microsoft), Nuno Ferreira Morgado (PLMJ), Nuno Troni (Gi Group), Pedro Fontes Falcão (Iscte Executive Education) e Sara Silva (L’Oréal).
Almoço do Conselho Editorial da Human Resources, artigo publicado n.º 180, de Dezembro de 2025