Emoção e Propósito, convergência para uma organização sustentável

Por António Saraiva, Business Development manager da ISQ Academy

 

Num mundo corporativo cada vez mais complexo, existem duas forças convergentes fundamentais para um sucesso sustentável – emoção e propósito. Se bem que a emoção seja analisada muitas vezes como um entidade subjectiva e de difícil gestão, é ela o motor das relações humanas e da própria motivação. Por outro lado, o propósito é considerado como o “norte” estratégico que dá sentido às acções organizacionais e conecta a organização com algo que vai para além dos resultados financeiros. O importante é descortinar-se o como conciliar estas duas dimensões.

Verdadeiramente as emoções influenciam, em grande medida, as decisões, moldam comportamentos e são determinantes na qualidade das interacções que se estabelecem entre as pessoas. Uma equipa emocionalmente comprometida, segundo a maioria dos estudos e análises, tende a ser mais criativa, colaborativa e, até, resiliente. Mas existe o reverso: ignorar emoções, ou manipulá-las de forma superficial, leva a que se instale a desconfiança e, mesmo, algum cinismo na comunicação que se estabelece. A emoção deve aparecer como energia vital da organização e não basear-se em simples slogans vazios de significado.

Por seu lado, o propósito não é apenas uma expressão de moda, ou que fica sempre bem-estar em destaque em qualquer website organizacional. É acima de tudo a razão da existência que transcende o lucro da organização e a conecta com o impacto social e humano da marca. Um propósito claro atrai talento, fideliza clientes e cria um valor sustentável. Mas se o mesmo é artificial e alheio à prática, transforma-se como que numa acção de marketing completamente vazia, gerando mesmo sentimentos de frustração e, até, perda de credibilidade. O propósito é como um farol, não apenas uma fogueira à beira-mar.

Há, pois, um dilema aparente, já que emoção e propósito parecem opostos – a emoção é volátil, e o propósito é estável. As emoções mudam com o contexto e o propósito permanece como referência. Mas nada disto é uma escolha. E esse é o erro. Só com propósito, as organizações tendem a tornar-se frias e burocráticas, as que se focam só na emoção o mais provável é serem caóticas e inconsistentes. A sapiência e o sucesso está em conciliar estas duas dimensões fundamentais.

Esta integração exige uma liderança emocionalmente inteligente. No fundo, exigem-se líderes capazes de traduzir o propósito em experiências relevantes para as pessoas criarem elos poderosos. Tal inclui uma cultura organizacional autêntica (forte alinhamento dos valores organizacionais com o propósito), narrativas que demonstrem como cada acção contribuiu para um fim de relevo, rituais e celebrações que reforcem o sentido de pertença e reconheçam as conquistas e, também, a prática de um feedback humanizado (comunicar sentimentos e expectativas, e não só resultados).

Estas duas dimensões, emoção e propósito, devem trilhar caminhos em conjunto, porque os resultados são evidentes e, felizmente, existem já vários casos de sucesso. Pela análise destas evidências, há nas respectivas organizações maior compromisso, inovação, colaboração e, até, resiliência. No fundo, mais do que estratégia, é uma filosofia de gestão, com as pessoas no plano central. Emoção e propósito não são, pois, conceitos abstractos. E são verdadeiramente complementares – transformam a organização numa comunidade dinâmica, com significado e fortemente sustentável.

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