Estar lado a lado com o negócio

«Longe vão os tempos em que a área de Recursos Humanos era apenas o departamento com o qual assinávamos o contrato e que nos pagava os salários.»

 

Por Catarina Tendeiro, directora de Recursos Humanos do Grupo Ageas Portugal

 

«Ao longo dos últimos 10 anos, acolhemos nas nossas empresas uma nova geração, passámos por uma rápida evolução tecnológica, e, claro, vivemos (estamos a viver) uma pandemia. A possibilidade de estudar no ensino superior ficou cada vez mais acessível, mesmo além-fronteiras, e viver fora do país durante uns meses tornou-se um passo quase normal no percurso de muitos estudantes. O ciclo familiar também mudou: em muitos casos ficamos em casa dos pais até mais tarde, temos filhos mais tarde e vivemos mais. O mundo das startups cresceu, o perfil do cliente mudou e a disponibilização de informação ficou à distância de alguns cliques.

Estes e outros factores desafiaram-nos a pensar em soluções ágeis, mais flexíveis e atractivas, segundo vários tipos de lente: a que sempre conhecemos e a que passa a valorizar mais ter tempo de qualidade com as suas famílias, viver o dia-a-dia com actividades extra ao trabalho e que a empresa demonstre que acompanha o seu desenvolvimento e fomenta a capacitação interna para uma melhor resposta ao exterior.

A Gestão de Pessoas tornou-se cada vez mais central e parte das agendas dos CEOs e da Comissão Executiva, ficando dedicada a poder criar, estrategicamente, programas e espaços de trabalho focados no bem-estar do colaborador, melhorando também o resultado a entregar ao cliente, com novas competências, automatização de processos e sinergias entre áreas.

Uma entrevista de trabalho é cada vez mais um momento de conquista mútua. Para tal, as empresas e a Gestão de Pessoas têm de trabalhar o ciclo do colaborador como um todo, mesmo antes de este entrar na empresa. Ou seja, que valor acrescentado cada empresa traz para o mercado e para a sociedade? Como pretende impactar o mundo? Que mecanismos proporciona aos seus colaboradores que os façam sentir parte da mudança?

É preciso antecipar necessidades, sair da secretária e ir falar com as nossas pessoas, perceber, no terreno o que está bem e o que deve ser melhorado. Estar lado a lado com o negócio. Longe vão os tempos em que a área de Recursos Humanos era apenas o departamento com o qual assinávamos o contrato e que nos pagava os salários.

A pandemia veio acelerar algumas iniciativas/projectos e reforçar a importância da existência de outras. O relacionamento interpessoal é de extrema importância, se não mesmo vital, mas as tecnologias conseguem quebrar barreiras que há uns anos pensávamos não serem possíveis de quebrar. Durante a pandemia, foi necessário estar ainda mais atento a cada uma das nossas pessoas. Olhar pela saúde mental de cada um, garantir que o negócio continuava a pensar e a preparar as pessoas para esse futuro. É importante estar atento ao presente, mas manter sempre um olhar no dia de amanhã, pois só assim nos conseguimos adaptar melhor a novas circunstâncias.

Destes meses, irá ficar, na minha perspectiva, na Gestão de pessoas em Portugal, a noção de possibilidade. É possível gerir pessoas remotamente; é possível ser produtivo, mesmo em ambientes que não o habitual escritório; é possível manter uma certa proximidade. Ainda assim, será importante, como referido anteriormente, voltarmos a estar todos juntos, pois o contacto interpessoal não deixou de ser fundamental.

O ser humano é extremamente adaptável. Já o éramos e com certeza foi algo que ficou mais sólido depois destes tempos.

Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Julho (n.º 115) da Human Resources, nas bancas.

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