Governança: mais do que um chavão, eficiência, transparência e alinhamento!

Por António Saraiva, Business Development manager_ISQ Academy

Na base, o sentido de governança é o de administrar, monitorizar, orientar, organizar e elaborar estratégias para tomar as melhores decisões, preferencialmente assertivas. Aconselha-se, para que o conceito ganhe coerência, que sejam pautadas pela ética, transparência, segurança e, logicamente, que gerem resultados.

Muito em voga pela importância que o ESG lhe está a atribuir, a verdade é que a mesma é fundamental para estruturar e implementar práticas que garantam a eficiência, a transparência e o alinhamento estratégico nas organizações. Sem qualquer questão é, por isso mesmo, que entra no léxico de intervenção da Gestão de Pessoas, nomeadamente no planeamento estratégico de Recursos Humanos, no desenvolvimento da liderança, na própria gestão do desempenho, no compromisso e cultura organizacional, na gestão dos talentos, na já referida transparência e ética e, também, na adaptação à mudança, potenciada pela transformação verde e digital.

De forma muito resumida, estes são mesmo os pilares que devem ser considerados numa Gestão de Pessoas virada para a inovação e para a promoção de um ambiente de trabalho positivo e produtivo. Podemos mesmo considerar que são estas as tendências inerentes ao que se espera que a Gestão de Pessoas consiga dar respostas aos tempos actuais. Daí uma redobrada atenção à questão da governança corporativa.

Dela depende o aprimorar e optimizar processos, em via de tomadas de decisão fundamentalmente estratégicas. Desde viabilizar a definição de responsabilidades nas estruturas internas, até à análise de riscos de mercado, passando por padronizar fluxos de trabalho nas equipas e preocupações de aumento a produtividade, tudo é fundamental para garantir transparência nos processos e gerar confiança em todos os stakeholders da organização. Sabe-se de antemão que muitas funções podem desaparecer, com risco do desaparecimento de postos de trabalho, tendo em conta toda a transformação tecnológica em curso. Mas uma governança no seu estado óptimo de execução saberá antecipar devidamente e, em consequência… agir! Esta é a prática mais comportamental do exercício da governança: a sua devida atenção às Pessoas.

Logicamente que o seu exercício é muito mais abrangente, mas sem Pessoas, sem a devida gestão do seu talento, qualquer organização estará condenada. Por isso, metas de RH que suportem a estratégia organizacional, crescimento dos líderes, uma cultura de feedback regular e construtivo, são indicadores óbvios de governança efectiva. Da mesma forma, reconhecer e recompensar o bom desempenho, oferecer oportunidades de crescimento e desenvolvimento e comunicação aberta, são essenciais. Sem elas, por mais evolução tecnológica ou roadmaps ambiciosos de mudança que se desenhem… não funcionam!

A governança corporativa não é um conceito fixo, com um único modelo a ser seguido universalmente. Há mercados diferenciados, há impactos regionais específicos, mas, acima de tudo, há factores relevantes que, muitas vezes, as organizações não consideram relevantes – o que está associado à cultura organizacional, em particular os valores por que cada organização se rege. Mas deve ser sempre considerado um tronco comum, independentemente do estabelecimento de directrizes de actuação que justificam a governança. E o tronco comum é uma conduta transparente, ética e responsável. Preferencialmente, socialmente responsável!

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