
Henrique Ribeiro, McDonald’s: «Investir nas pessoas projecta-nos como uma marca de futuro, com responsabilidade e ética»
A aposta na formação, na progressão de carreira e no desenvolvimento pessoal são pedras basilares que contribuem para a atracção de talento e, consequentemente, para a reputação da McDonald’s em Portugal. Henrique Ribeiro, gerente de restaurante na Abóboda, conta como isto se concretiza. E como é exemplo disso mesmo.
Por Tânia Reis
A McDonald’s chegou a Portugal em 1991. Passadas mais de três décadas, está presente de Norte a Sul do País e Ilhas, com 200 restaurantes – mais de 90% geridos por franquiados portugueses – e mais de 10 mil colaboradores. Actualmente, tem em vigor uma acção de recrutamento de 2500 vagas, que «visam reforçar, a nível nacional, as equipas existentes para o período de Verão e consideram, por exemplo, novos restaurantes a abrir», explica Henrique Ribeiro, gerente de restaurante da McDonald’s na Abóboda.
As oportunidades são transversais a todos os restaurantes e incluem posições nas equipas de operadores de restaurante como nas de gestão. «Os requisitos específicos variam consoante a função», conta o responsável. «Por exemplo, para candidatos à equipa de gestão, é valorizada a experiência profissional prévia na área e/ou a frequência ou conclusão do ensino superior.» Contudo, mais do que os requisitos técnicos, avaliam competências comportamentais, como «a identificação com a marca, o espírito de trabalho em equipa e o sentido de responsabilidade».
Ainda que a marca de fast food tenha sucesso no recrutamento, Henrique Ribeiro reconhece que «o desafio de atrair talento é um factor comum a todo o sector da restauração», por isso defende que é importante cuidar das equipas, «seja no sentido de promover a sua retenção no restaurante, seja no sentido de garantir que levam uma bagagem enriquecedora para a sua jornada profissional».
Crescimento pessoal e profissional
Essa proposta de valor passa por «oferecer boas condições de trabalho, num ambiente seguro e inclusivo, que proporcione o crescimento de todos os colaboradores e um bom espírito de equipa», salienta o gerente. Tal passa também por «promover uma boa comunicação entre chefias e equipas, onde todas as pessoas se sintam valorizadas e respeitadas e saibam o valor que têm para a organização».
No âmbito do desenvolvimento profissional, a McDonald’s é certificada pela DGERT para ter um centro de formação onde decorrem diferentes cursos para as várias funções que existem na hierarquia do restaurante. «Estas formações estão interligadas com a progressão de carreira e o desenvolvimento de competências dentro da organização.» De igual forma, «a empresa tem um programa de Gestão em parceria com uma universidade portuguesa que abrange os colaboradores da sede e os elementos das equipas de Gestão dos restaurantes».
O desenvolvimento pessoal também é valorizado, nomeadamente a nível de estudos, sendo disponibilizadas bolsas para o ensino superior. «Na McDonald’s, entendemos esta aposta na educação como uma aposta no futuro, e o programa de Bolsas de Estudo vem reforçar este compromisso da marca, de contribuir para o desenvolvimento de colaboradores e equipas e para o seu crescimento pessoal», afirma Henrique Ribeiro. Simultaneamente, considera a iniciativa «como um compromisso de longo prazo da marca com o País», pois está a contribuir para a qualificação de profissionais no mercado de trabalho e, assim, para a profissionalização do sector. «Acredito que estamos a ajudar as famílias dos colaboradores que usufruem da bolsa e, portanto, a extensão da nossa acção vai muito para além do que podemos imaginar.»
A seu ver, esta medida permite posicionar a McDonald’s como uma entidade empregadora com benefícios cada vez mais atractivos para os jovens. Além de ajudar na valorização pessoal dos colaboradores, está em crer que contribui igualmente para aumentar o sentimento de pertença. «Projecta-nos como uma marca de futuro, com responsabilidade e ética», defende.
Entre os vários benefícios disponibilizados estão ainda o seguro de saúde, o Programa “McDonald’s Cuida de Mim”, que visa o bem-estar físico, emocional, financeiro e social dos colaboradores «com uma série de parcerias, promoção de webinares financeiros e de saúde mental, participação em corridas», e vários programas de celebração de datas especiais, team buildings, passatempos, entre outros. «Para além disso, todos os colaboradores do meu restaurante têm a oferta do dia de trabalho do seu aniversário remunerado», destaca.
Ao nível do reconhecimento e progressão de carreira, «existem prémios de desempenho nos restaurantes atribuídos mensal e anualmente», como o prémio de “Colaborador do Mês” ou de “Colaborador do Ano”. Existe também o prémio Ray Kroc, uma distinção internacional atribuída apenas a 1% dos gerentes de restaurante.
De todas as medidas e iniciativas disponibilizadas, o gerente considera que «os colaboradores dão muito valor ao seguro de saúde e ao reconhecimento de desempenho. A flexibilidade de horários é algo que também já faz parte do ADN e que é muito valorizado.» E, ainda que o salário continue a ser importante na hora de escolher um empregador, está convicto de que não é o único factor na decisão. «O bom ambiente de trabalho, a cultura e os valores da McDonald’s são factores-chave, a possibilidade de terem planos de formação, as oportunidades de progressão de carreira e o apoio ao desenvolvimento pessoal são mais-valias muito valorizadas.»
Uma evolução com foco nas pessoas
Aliás, com uma carreira na McDonald’s Portugal que já conta mais de uma década, Henrique Ribeiro é testemunha do que mudou no âmbito da Gestão de Pessoas desde 2014. «A McDonald’s tem feito, ao longo destes anos, uma reforçada aposta no desenvolvimento das suas pessoas. Temos alargado as nossas equipas com uma estrutura de recrutamento activa e cada vez mais profissional, e com uma aposta na mobilidade e evolução de carreira.»
O seguro de saúde, os prémios de desempenho e reconhecimento, os programas de apoio ao bem-estar e, desde 2020, o programa das bolsas de estudo «para apoiar os elementos das equipas que frequentam o ensino superior e incentivar todos a ingressar ou completar os estudos» comprovam essa evolução. «Desde 2014, também assisti à inovação e implementação de novas redes de comunicação interna que reforçam o sentimento de pertença dos colaboradores à marca», recorda.
Os pilares estratégicos da gestão da sua equipa – cerca de 50 colaboradores – são comuns a toda a organização: «oferecer boas condições de trabalho, que vão do salário aos benefícios, ao bom ambiente, bem como a formação contínua de todos, dando a toda a equipa mais oportunidades para o seu desenvolvimento, nunca esquecendo as boas práticas de reconhecimento no dia-a-dia», reitera. «É muito importante para mim, enquanto líder de uma equipa, transmitir um propósito e saber que estou a dar o meu exemplo.» E essa liderança é assente nas aprendizagens que foi retirando das várias funções e posições assumidas em mais de 10 anos na empresa. Também não deixa de agradecer a todas as pessoas que se cruzaram na sua jornada. «Todas, sem excepção, contribuíram para o profissional que sou hoje. Entrei na McDonald’s com 24 anos e sinto que foram 10 anos de crescimento profissional e pessoal.»
As várias posições que ocupou permitiram «perceber os desafios de cada função» e, com essa experiência, hoje ajuda os seus «pares a potenciarem o seu valor e o seu talento». «O principal ensinamento e que molda, sem dúvida, a minha liderança é a importância da empatia, da entreajuda e do trabalho em equipa como vectores fundamentais da liderança de equipas.»
Consciente dos tempos complexos no mundo profissional, «com a transformação digital e as expectativas das novas gerações que encontram na McDonald’s, muitas vezes, o seu primeiro passo na carreira», o profissional destaca «a retenção de talento, o envolvimento da equipa e a liderança adaptativa» – um trabalho que têm vindo a incrementar – como os grandes desafios actualmente na área da Gestão de Pessoas.
Por isso, acredita que o futuro do trabalho na restauração será marcado por uma maior integração da tecnologia para optimizar operações e, assim, não só melhorar a experiência do cliente, como também melhorar a experiência do colaborador. «Por outro lado, acredito que as competências humanas, como a empatia, a criatividade e a hospitalidade, vão continuar a ser fundamentais.»
Este artigo foi publicado na edição de Maio (nº. 173) da Human Resources, nas bancas.
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