
Híbrido, contínuo e personalizado: o futuro da aprendizagem profissional
Por JPS Kohli, fundador da SkillUp
Estamos a presenciar uma transformação silenciosa, mas profunda, na forma como aprendemos e nos mantemos actualizados como profissionais. O modelo tradicional de ensino, linear e predominantemente presencial, já não responde às exigências de um mundo profissional em constante mutação. Hoje, a aprendizagem eficaz é híbrida, contínua e personalizada, e essa é uma necessidade estratégica, tanto para os trabalhadores como para as organizações.
A aceleração tecnológica e a automação de tarefas estão a redefinir o mercado de trabalho a um ritmo sem precedentes. Estima-se que, até 2030, mais de mil milhões de pessoas terão de adquirir novas competências para se manterem empregáveis (World Economic Forum e McKinsey & Company). Perante este cenário, é imperativo criar soluções que permitam uma aprendizagem acessível, flexível e orientada para o impacto real.
Nesse sentido, acredito que o futuro da aprendizagem está a ser moldado por três grandes forças: a hibridez como norma, a aprendizagem como um processo contínuo e a personalização como um alicerce.
A distinção entre formação presencial e online está a esbater-se. O que emerge é um modelo híbrido, que combina o melhor dos dois mundos – a flexibilidade da tecnologia com a riqueza das interacções humanas. Seja através de aulas síncronas, experiências imersivas em realidade aumentada ou comunidades de aprendizagem online, o importante é criar contextos nos quais o conhecimento possa ser aplicado de forma prática e colaborativa.
A lógica de que aprendemos primeiro e trabalhamos depois está ultrapassada. A aprendizagem deve acompanhar a vida profissional inteira, em ciclos regulares de upskilling e reskilling, conforme as necessidades e objectivos de cada um. Esta abordagem contínua é essencial para manter a relevância num mercado que valoriza cada vez mais a adaptabilidade.
Finalmente, num mercado global e diversificado, a aprendizagem não pode ser “tamanho único”. As plataformas de formação devem responder ao perfil, ritmo e estilo de aprendizagem de cada utilizador, com recursos ajustáveis, percursos organizados por módulos independentes e métricas individualizadas de progresso. Só assim conseguimos promover uma aprendizagem realmente eficaz, centrada no utilizador e orientada para resultados.
Na SkillUp, temos acompanhado inúmeras jornadas que ilustram este novo paradigma. A Cristina, sem qualquer formação tecnológica prévia, desenvolveu competências digitais desde o zero e sente-se agora, mais confiante com o seu leque de capacidades. O Harkeerat passou de aprendiz de Python a profissional, devido à oportunidade que teve de realizar projectos reais enquanto aprendia. Já o Hadi, viu a sua carreira tecnológica crescer graças aos materiais fornecidos, que se concentravam na resolução de problemas encontrados nas funções tecnológicas do seu quotidiano laboral.
Apesar do crescente investimento das empresas em formação, muitas iniciativas continuam a falhar na obtenção de resultados concretos, por cometerem erros como a escolha de conteúdos descontextualizados, a falta de alinhamento com os objectivos estratégicos da empresa ou a ausência de métricas que permitam avaliar os resultados da aprendizagem.
Esta realidade evidencia a necessidade de repensar os modelos de aprendizagem – e é precisamente aqui que Portugal pode assumir um papel de liderança.
O país tem condições únicas para se afirmar como um laboratório vivo de inovação na área da tecnologia educativa (EdTech), através da integração de soluções digitais no ensino e na aprendizagem. A combinação entre o talento tecnológico, a fluência digital crescente e uma forte vocação exportadora torna-nos capazes de criar soluções neste campo com impacto global.
A educação é a ponte entre o potencial e a realização, e a tecnologia, quando usada com inteligência e empatia, pode acelerar a construção dessa ponte de forma mais rápida, segura e inclusiva. Só assim qualquer profissional poderá crescer com liberdade, propósito e impacto.
O futuro da aprendizagem já começou e está nas nossas mãos torná-lo mais acessível, eficaz e humano.