Joana Couto, Prio: Inadiável urgência de repensar como lideramos

No âmbito do especial dos 15 anos da Human Resources, desafiámos responsáveis de empresas a perspectivarem os pontos-chave da liderança para os próximos 15 anos.

 

Por Joana Couto, Directora de Recursos Humanos da Prio

Liderar melhor. Todos os dias. Falar de liderança é falar do futuro. Mas também é falar do presente, com olhos bem abertos. É falar de escolhas. De legados. De como influenciamos os caminhos que se desenham à nossa volta – pelas decisões que tomamos, pelas relações que construímos, pelos espaços que abrimos para que outros possam crescer.

Ao celebrarmos os 15 anos da Human Resources, celebramos também a urgência de liderar com consciência, com coragem e com sentido de responsabilidade. Porque o futuro não se herda: o futuro constrói-se – e liderar é, no fundo, assumir esse compromisso de o moldar, todos os dias.

Hoje, mais do que nunca, liderar é um verbo que exige consciência. Consciência do impacto que geramos – nas pessoas, nas equipas e nas culturas que promovemos. Consciência de que liderar não é um privilégio, mas uma responsabilidade exercida com intenção, humildade e visão, que articule o presente com o futuro, o individual com o colectivo.

Estamos onde estamos – e isso importa. Na Prio, fizemos progressos na profissionalização da liderança, no foco no propósito e na inclusão de temas como saúde mental, diversidade ou equilíbrio vida-trabalho. Este nosso percurso tem-se traduzido num investimento consistente nas áreas da saúde ocupacional e da responsabilidade social interna. Acreditamos que liderar bem começa por cuidar bem. E temos dado corpo a essa visão através do Espaço Bem-Estar PRIO, de serviços especializados (psicologia, fisioterapia, nutrição, medicina curativa) e de conteúdos de saúde e bem-estar acessíveis a todas as pessoas da organização.

Também acreditamos que ambientes saudáveis só existem quando são verdadeiramente inclusivos. Por isso, lançámos a PRIO Diversidade+: um grupo de trabalho multidisciplinar que desafia preconceitos, promove o diálogo e impulsiona a inclusão – todos os dias.

Mas o mundo move-se depressa. E a liderança que nos trouxe até aqui não será, por si só, suficiente para nos levar adiante. As expectativas mudaram. Os contextos tornaram-se mais exigentes. A urgência de repensar como lideramos é inadiável.

A grande disrupção? A consciência colectiva da complexidade. Vivemos uma era de aceleração – tecnológica, climática, energética e social. Mas também de desafios híbridos, onde liderar implica navegar entre o conhecido e o incerto, sustentar perguntas difíceis, manter o diálogo aberto e preservar a confiança mesmo na ambiguidade.

Na Prio, temos enfrentado esta complexidade com os pés na realidade e os olhos no futuro. A cibersegurança tornou-se central na forma como gerimos risco. A inteligência artificial já habita o nosso quotidiano e obriga a novas competências, éticas e humanas. E, na sustentabilidade, temos ampliado a reflexão estratégica com acções como as Masterclasses em ESG (Environmental, Social and Governance) e momentos de co-criação com os nossos líderes sobre o futuro da mobilidade e da energia. Tudo isto porque acreditamos que liderar é antecipar o futuro – e compreendê-lo com mais profundidade.

O maior salto que enfrentamos não será apenas tecnológico, será de maturidade. A capacidade de integrar múltiplas dimensões, de escutar com empatia e de decidir com propósito tornou-se estrutural.

O líder do futuro – que já é o líder do presente – precisa de novas competências: escuta activa, curiosidade genuína, coragem para mudar de ideias, e capacidade de tomar decisões que equilibrem o imediato com o estrutural. Precisa, acima de tudo, de saber que não lidera sozinho.

Liderar será cada vez mais sobre criar as condições para que outros possam crescer, brilhar, contribuir. Com ética. Com empatia. Com confiança.

E quem será o líder ideal em 2030? Alguém que partilha o palco, que multiplica talento e que cuida da cultura como quem cuida de um legado vivo. Um líder que sabe alinhar estratégia com humanidade, metas com significado e números com narrativas que inspiram. Que aprende com quem sabe diferente, resiste à urgência e protege o tempo da reflexão. Um líder guiado pelo propósito e que sabe que os verdadeiros líderes não constroem apenas empresas: ajudam a construir futuros onde vale a pena viver e trabalhar.

E o que nos pode travar? A tentação do controlo, a obsessão pelo imediato, a crença de que liderar é apenas seguir processos. Os desafios são muitos: estruturas rígidas, lideranças cansadas, equipas desmotivadas. Mas o maior obstáculo pode ser este: a nossa resistência em desaprender. Em largar o que já não serve. Em abrir espaço ao novo.

Na Prio, temos aprendido que liderar é estar em construção contínua. Evoluímos quando nos conectamos com o nosso propósito – essa energia que verdadeiramente nos move. Evoluímos quando cuidamos – das pessoas, das relações, do futuro. E evoluímos, sobretudo, quando aceitamos que não há fórmulas perfeitas, mas há um compromisso real em liderar melhor. Todos os dias.

Porque liderar é, antes de tudo, um acto profundamente humano. É sobre caminhar com os outros – não à frente, mas ao lado. É sobre gerar energia e não apenas geri-la. É sobre deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos. E é por isso que, na Prio, continuamos a escolher este caminho: o de liderar com consciência, com intenção e com futuro dentro.

Que os próximos 15 anos tragam novos desafios, sim, mas também líderes mais preparados, mais conectados, mais humanos. Porque é na forma como escolhemos liderar hoje que começa o amanhã que ambicionamos. Porque o futuro não se adivinha, constrói-se. E começa na forma como escolhemos liderar. Hoje.

Este artigo faz parte do Tema de Capa publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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