Liderar é a arte da proximidade

Human Resources
3 de Abril 2025 | 11:00

Por Carla Farinha, directora de Recursos Humanos da Opensoft

 

O plano de sucessão para altos cargos passou a ser uma preocupação constante nas organizações, o que levou à adopção de um novo estilo de liderança.

O entendimento da liderança autoritária, caracterizada essencialmente por concentrar em si todas as decisões e impor uma grande distância em relação aos colaboradores, já não encontra lugar nas empresas. E ainda bem que assim é. Hoje, uma liderança exemplar é aquela que tem o cuidado de exercer mentoria e de tratar por “tu” aqueles em quem acredita serem os líderes do futuro.

Esta é uma liderança que se exerce com base em soft skills como a mente aberta, a sensibilidade e a empatia (daí a utilização da expressão ‘liderança empática’), mas também na confiança que transmite aos profissionais, na partilha do conhecimento e no envolvimento de toda a equipa na tomada de decisão. Só através da promoção de uma cultura de partilha de saber e experiência, alicerçada num ambiente de genuína proximidade e camaradagem, é que será possível assegurar uma sucessão de liderança bem-sucedida.

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Para que isso aconteça, a liderança concretiza-se na observação minuciosa e paciente. Identificar potencial, avaliar pontos a melhorar e pensar estratégias, exige essa predisposição para observar o outro, como indivíduo e peça estratégica dentro da sua equipa. É uma observação que se faz de porta aberta e com um pé no futuro.

Cada vez mais, os líderes do futuro têm o privilégio de ter como mentores profissionais que se preocupam em investir na formação em soft skills, o que contribui directamente para a construção de relações profissionais mais saudáveis e férteis.

A empatia, característica fundamental dos líderes actuais, pode ser inata, mas, ainda assim, merece ser trabalhada de forma activa através de formação. A experiência profissional na área de RH ensina-nos a importância de ter colegas que facilmente se aproximam do outro para perguntar como está a correr o dia, mas também o valor de estarmos rodeados de profissionais com diferentes backgrounds que se mostram disponíveis para aperfeiçoar estas competências humanas.

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O mundo profissional – e até académico – mostra-nos que a mentoria tem o potencial de mudar vidas. Todos nós conhecemos exemplos de pessoas que, em momentos estratégicos das suas vidas, foram acompanhadas por mentores que as desafiaram a explorar com maior profundidade uma certa aptidão e os convidaram à superação. Neste sentido, o diálogo e proximidade intergeracional é uma linha que deve orientar a estratégia de sucesso e o crescimento de qualquer organização.

As relações intergeracionais podem ser exploradas de forma mais ou menos orgânica, dependendo da empresa. Felizmente, em termos de proximidade entre gerações, acredito que caminhamos no bom sentido. A geração Z, em processo de entrada no mercado de trabalho, tem vindo a desafiar as empresas a aprofundar o propósito dos seus projectos, enquanto a geração X, actualmente na liderança, está a dar um contributo imprescindível na desconstrução de algumas formalidades, com o objectivo de se aproximar de uma cultura organizacional mais focada no diálogo produtivo do que nas aparências.

Com gabinetes de porta aberta, menos dias de fato completo e mais momentos de encontro para partilha de sucessos e frustrações gerados pelas tarefas do dia a dia, o conhecimento flui, sem dúvida alguma, mais facilmente. Esta fluidez é essencial para que os colaboradores mais jovens se identifiquem com as suas lideranças e procurem de certa forma explorar o seu estilo de gestão e liderança.

No sector tecnológico, onde actuo há quase duas décadas, frequentemente os líderes têm também uma forte componente técnica. Numa organização de desenvolvimento de soluções tecnológicas, por exemplo, é essencial ter uma mente aberta para incorporar novas linguagens de programação ou tecnologias mais eficientes. Esta abertura técnica contagia outros aspectos da prática de liderança neste sector, favorecendo uma mentoria mais acessível e prática. Mais uma vez, a abertura orientada para a adaptação a desafios futuros surge como valor essencial de um mentor.

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