
Mais de 60% dos portugueses erram pergunta simples sobre inflação. E 40% não conseguem poupar regularmente
O novo relatório global do Santander sobre literacia financeira, “O Valor de Aprender – Perspetivas Globais sobre Educação Financeira”, elaborado pela Ipsos, junto de 20.000 pessoas de 10 países, revela que 61% dos inquiridos afirmaram ter conhecimentos sólidos sobre temas financeiros. Em Portugal, essa percepção é ainda mais elevada, atingindo 63%. No entanto, quando testados na prática, apenas 36% dos portugueses responderam correctamente a uma pergunta simples sobre inflação.
Os números evidenciam um défice entre a percepção e o conhecimento real dos portugueses sobre estes temas, num momento em que a literacia financeira ganha crescente relevância no país, num contexto de taxas de juro voláteis e de pressão sobre o custo de vida.
A urgência de promover competências financeiras é sublinhada pelo estudo, que revela que apesar de considerarem a educação financeira uma disciplina altamente relevante (92% acreditam que devia fazer parte do currículo escolar), apenas 10% dos portugueses recordam ter recebido esta formação na escola.
Esta tendência verifica-se igualmente a nível global: o estudo do Santander conclui que a educação financeira é considerada a segunda disciplina mais importante após a matemática, e 84% dos que não a receberam na escola gostariam de a ter tido. Perante esta lacuna, as redes sociais tornaram-se uma fonte de informação relevante: um em cada cinco inquiridos recorre às redes sociais para obter conteúdos financeiros.
O relatório indica que a principal ambição financeira dos portugueses é atingir um nível de estabilidade financeira que lhes permita não se preocuparem com dinheiro (39%), seguida de poupar para viajar (33%) e pagar dívidas (23%).
Perante um cenário económico desafiante, 35% dos portugueses conseguem poupar parte do rendimento mensal, mas 40% admitem não poupar regularmente. A utilização de serviços bancários digitais é elevada, com 73% a usá-los semanalmente.
Já quanto à percepção económica, 24% mostram-se optimistas relativamente à economia global (contra 42% de pessimistas), e apenas 22% têm uma visão positiva da economia portuguesa (também aqui com 42% de pessimistas).