Mulheres nas STEM: Como estamos, Portugal?

Human Resources
19 de Março 2025 | 11:00
Mulheres nas STEM: Como estamos, Portugal?

Por Teresa Vicente, head of People na Minsait em Portugal

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A diversidade é a chave do progresso tecnológico e o talento feminino desempenha um papel fundamental na inovação. As histórias de mulheres que encontraram na tecnologia um espaço para desenvolver todo o seu potencial são inspiradoras e demonstram que é possível alcançar grandes objectivos. Engenheiras, programadoras, técnicas, entre muitas outras profissões nesta área, contribuem todos os dias com seu talento e visão única, impulsionando o crescimento de diversos sectores produtivos do país através da tecnologia.

Nos últimos anos, temos assistido a um aumento significativo da participação das mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) em Portugal. No entanto, ainda existem desafios consideráveis que precisam de ser superados para alcançar uma verdadeira igualdade de género nestas áreas.

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Apesar de em Portugal existirem mais mulheres nas áreas STEM do que na média da UE27, este valor ainda está aquém do desejado. De acordo com o Boletim Estatístico de 2022 da Igualdade de Género em Portugal, em 2021 as mulheres representavam apenas 37,7% dos licenciados em áreas STEM. Embora esta percentagem seja encorajadora, ainda há uma diferença 24,6 p.p. em relação aos homens, que representavam 62,3%. Além disso, a proporção de mulheres em empregos STEM é de 44%, mas estes empregos representam apenas 12% do total de empregos no país.

Um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres em carreiras STEM é a persistência de estereótipos de género. Muitas vezes, existe a percepção de que as mulheres não têm interesse ou competências naturais nestas disciplinas, o que pode influenciar as suas escolhas educacionais e profissionais desde cedo. Este preconceito pode levar a uma menor representação feminina em áreas como Engenharia e Tecnologias, onde a taxa de presença feminina é significativamente mais baixa comparada às Ciências e Matemáticas.

Fomentar ambientes inclusivos e oferecer oportunidades de mentoria são passos fundamentais para apoiar as mulheres nestas carreiras. Além disso, construir redes sólidas e privilegiar políticas equitativas pode ajudar a criar um ambiente mais propício ao desenvolvimento profissional das mulheres em carreiras STEM.

Para promover a inclusão e aumentar a participação das mulheres em carreiras STEM, é crucial implementar estratégias inovadoras. E como? As empresas podem promover esta inclusão criando ambientes de trabalho inclusivos, implementando políticas de diversidade e oferecendo formação contínua sobre inclusão. Estabelecer programas de mentoria e desenvolvimento de carreira personalizados também é importante. Não menos importante, é estabelecer parcerias com instituições de ensino para criar programas de estágio e bolsas de estudo, além de organizar workshops e eventos, que podem incentivar a participação de mulheres nas carreiras STEM.

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Adoptar processos de recrutamento inclusivos e oferecer benefícios que apoiem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal são igualmente estratégias importantes. Celebrar as conquistas das mulheres nesta área e destacar o seu papel dentro das empresas pode aumentar a visibilidade e inspirar outras.

Embora Portugal tenha feito progressos notáveis na inclusão de mulheres nestas carreiras, ainda há um longo caminho a percorrer. É essencial que – mulheres e homens – continuem a combater os estereótipos de género e promovam políticas que incentivem a participação feminina nestas áreas. Só assim poderemos garantir um futuro mais equitativo e inovador para todos.

Ada Lovelace, nascida Augusta Ada Byron em 1815, foi uma matemática e escritora inglesa, reconhecida como a primeira programadora de computadores. Entre 1842 e 1843, Ada traduziu um artigo sobre a máquina analítica de Babbage e adicionou as suas próprias notas, incluindo o primeiro algoritmo destinado a ser processado por uma máquina. Ada Lovelace, considerada a mãe da programação, teve de assinar o seu trabalho com iniciais para evitar a censura. Embora a realidade tenha mudado, o desafio de colmatar o fosso entre os géneros mantém-se. O reconhecimento do papel das mulheres na tecnologia tem sido um processo gradual, não obstante os avanços alcançados.

Assim, à luz do Dia Internacional da Mulher, que se assinala este mês de Março, é importante destacar que o campo da inovação requer cada vez mais profissionais capazes de liderar a adopção de novas tecnologias. A diversidade de género não é apenas uma questão de justiça, mas sim uma necessidade para o progresso contínuo e sustentável da tecnologia.

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