Nascemos ou tornamo-nos intraempreendedores?

Human Resources
5 de Maio 2022 | 12:10

Eis uma questão inquietante sobre o conceito de perfil do intraempreendedor. Será que nascemos já com traços e características que podem ser favoráveis à nossa senda empreendedora ou será que somos mais o produto de uma construção de competências que podem (e devem) ser desenvolvidas ao longo da vida? Ou, para trazermos mais complexidade à conversa, será o perfil empreendedor o resultado de uma fusão entre personalidade e skills? Esta reflexão assenta no perfil do indivíduo, culturas organizacionais à parte.

 

Por Rita Oliveira Pelica, chief Energy officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Desmistificando a ideia do “tens tanto jeito para empreender”, o que a ciência nos diz é que nesta equação existem variáveis mais fixas, relacionadas com a personalidade – e que podem “interceder” a nosso favor, e outras há (mais flexíveis) que podem ser melhoradas, ligadas ao desenvolvimento de competências. O que está alinhado com o conceito de mentalidade de crescimento (growth mindset), cunhado por Carol Dweck.

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Já existem instrumentos científicos (assessments) que permitem fazer este diagnóstico, não só do ponto de vista individual, como também para equipas. É uma avaliação que é feita em vários parâmetros, face a uma norma para empreendedores e outra para gestores corporativos. Permite-nos perceber “onde estamos”, quais as nossas forças e pontos de melhoria, face a objectivos traçados do ponto de vista da gestão da carreira. Com este “raio-x” torna-se mais fácil desenhar um plano de desenvolvimento à medida, identificando as áreas a melhorar. Em nome de uma cultura de empreendedorismo, nas organizações.

Vejamos o que está em jogo. No que diz respeito a traços de personalidade, encontramos sete parâmetros para análise, que permitem evidenciar o lado empreendedor de um indivíduo – pensando numa escala de um a cinco, em que quanto mais elevado for este número, maior será a predisposição para empreender.

Independência: o desejo de se trabalhar com um alto grau de independência, com autonomia e, consequentemente, com responsabilidade.

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Preferência por estrutura com pouca hierarquia: a preferência por trabalhar numa estrutura (organizacional) mais “achatada”, com espaço de manobra.

Inconformismo: a preferência para se agir de uma forma que seja única, questionando “o porquê das coisas” e perguntando “e se…?”.

Tolerância ao risco: a disposição de não abandonar uma ideia ou objectivo, mesmo que a probabilidade de sucesso seja baixa e tenha riscos associados (há que saber minorá-los!).

Orientação para a acção: a tendência para mostrar iniciativa, tomar decisões de forma rápida e ficar impaciente com o atingimento de resultados.

Paixão: tendência para encarar o trabalho com entusiasmo e paixão, ao invés de o encarar como aborrecido e sugador de energia.

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Necessidade de realização: o desejo de atingir um alto nível de concretizações. No que diz concerne às competências associadas a uma mentalidade empreendedora, são também sete os parâmetros a ter em consideração. Utilizemos a mesma escala de Likert, de um a cinco (da menor para a maior capacidade).

Foco no futuro: a capacidade de se pensar para além do imediato e planear o futuro.

Geração de ideias: a capacidade de geração de novas ideias e de encontrar várias formas (e diferentes) de se atingirem os objectivos.

Execução: a habilidade de transformar ideias em acção, a capacidade de implementar as ideias.

Autoconfiança: a crença nas suas próprias habilidades, competências e talentos para alcançar objectivos e as metas traçadas.

Optimismo: a capacidade de manter uma atitude positiva sobre a vida e o mundo ao nosso redor.

Persistência: a capacidade de se recuperar rapidamente das frustrações e de se manter persistente não obstante os obstáculos e as adversidades.

Sensibilidade interpessoal: o nível de sensibilidade (e bom senso?) e preocupação com o bem-estar daqueles com quem se trabalha; claramente um item no qual os gestores corporativos têm de apostar cada vez mais, alimentando o sentido de pertença e promovendo um activo networking interno.

Em 13 dos 14 parâmetros apresentados, a norma dos empreendedores apresenta um valor superior ao da norma dos gestores corporativos. Mais liberdade, mais criatividade, mais risco, é o apanágio dos empreendedores. Fica mais alta a fasquia, para os intraempreendedores, no tema da sensibilidade interpessoal – a necessidade de dar atenção às pessoas, de envolver os vários stakeholders da organização. A prática da arte da influência.

Faz(-lhe) sentido? A forma como pensamos e agimos impacta os resultados que atingimos. Qual é o seu perfil? O que pode ser melhorado? Pense e aja como um intraempreendedor.

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