
O futuro das empresas escreve-se com pessoas
Por Nassrin Majid, directora-Geral da ConsumerChoice
Cinco anos após a pandemia, o mercado de trabalho mudou de forma irreversível. O que antes era visto como benefício tornou-se requisito. O que era excepção… tornou-se regra. Hoje, falar apenas de salário competitivo já não basta. Os profissionais procuram ambientes de confiança, culturas saudáveis e experiências que façam sentido na sua vida. É neste contexto que se trava as grandes batalhas das empresas: atrair e reter talento, por um lado, e gerar felicidade nos colaboradores, por outro.
As recentes alterações ao Código do Trabalho vieram reforçar essa urgência. Flexibilidade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, valorização do tempo e condições dignas deixaram de ser aspectos acessórios para se tornarem elementos centrais da agenda empresarial. E se o colaborador já era o maior activo de qualquer organização, hoje é também a medida da sua credibilidade.
Mas afinal, o que leva um colaborador a permanecer numa empresa ou a procurar novos desafios? O salário continua a ser relevante, mas já não é suficiente para garantir lealdade. Segundo um estudo da Gallup, realizado em 2025, 59% dos profissionais consideram que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o bem-estar são atributos determinantes na escolha de um novo emprego. Estes dados confirmam aquilo que vemos no dia-a-dia, a experiência tornou-se o novo salário emocional.
É precisamente aqui que importa ir além das métricas superficiais. Mais do que medir níveis de satisfação, é necessário compreender a experiência dos colaboradores em profundidade, como se cruzam percepções, expectativas e práticas no dia-a-dia das organizações. O que conta não é apenas o que a empresa proclama, mas aquilo que se vive efectivamente entre equipas e líderes. A coerência é determinante. Sempre que políticas de Recursos Humanos e cultura organizacional estão alinhadas e se tornam palpáveis no quotidiano, o resultado traduz-se em equipas motivadas, produtivas e comprometidas. Pelo contrário, quando o discurso não corresponde à prática, a confiança quebra-se, a desmotivação instala-se e os melhores profissionais procuram novos caminhos.
Neste contexto, distinções como o Best Work Experience procuram precisamente dar resposta a esta necessidade: avaliar se as empresas oferecem experiências consistentes e genuínas, e não apenas narrativas bem construídas. Os resultados mostram que as organizações que colocam as pessoas no centro tendem a ser mais inovadoras, mais resilientes e mais preparadas para crescer de forma sustentável. Tratar bem os colaboradores já não é apenas uma questão ética ou de responsabilidade social – é um factor competitivo que pode definir quem lidera e quem fica para trás.
Reconhecer e dar visibilidade a esse compromisso é também uma forma de sublinhar a importância de alinhar discurso e prática. No fundo, o futuro das empresas será sempre ditado pela forma como cuidam das suas pessoas. Essa é a diferença entre quem apenas emprega e quem verdadeiramente inspira. Um bom lugar para trabalhar não nasce de promessas, mas da construção diária de relações, cultura e propósito.