Opinião: A mudança como constante

Já não é com certeza novidade que o mundo está diferente. É um mundo VUCA – Volatile, Uncertain, Complex, Ambiguous –, aquele em que vivemos hoje. A ansiedade e o stress que muitas vezes sentimos, são causados pelo aumento da distância entre a velocidade da mudança e a capacidade de nos adaptarmos a ela. É importante que isto seja encarado de forma realista mas não pessimista.

 

Por Joana Queiroz Ribeiro, directora de Pessoas e Organização da Fidelidade

 

Se, por um lado, aquilo que é hoje verdade pode já não o ser amanhã, as variáveis dos diferentes contextos são tantas, e mudam de tal forma, e as surpresas ao “virar da esquina” acontecem tão frequentemente, que qualquer exercício de planeamento parece hoje inglório.

Toda esta transformação tecnológica e digital que vivemos hoje passa-nos uma sensação de velocidade, de que tudo é urgente. De repente, parece que vamos perder o controlo das nossas vidas! A acrescentar a tudo isto, a ambiguidade passou, sem darmos por isso, a fazer parte do nosso dia-a-dia.

Esta realidade tem implicações em cada um de nós, e se alguns já nasceram neste “novo” mundo, muitos têm não só que tomar consciência dele, como adaptar-se à nova realidade.

Pode estar aqui uma grande oportunidade de ganharmos uns com os outros. “A passagem” dos valores da vida, a experiência e o conhecimento acumulado, devem ser moeda de troca para a aprendizagem de como se vive nesta nova realidade digital.

Já é assim lá por casa, com avós, pais e netos. Deverá ser assim na sociedade em geral e, especialmente, nas nossas organizações. Estamos, provavelmente, perante um dos maiores desafios tecnológicos e, como já referi, a viver uma das maiores oportunidades de sermos mais humanos, deixando para as máquinas o que sabem e podem fazer.

Colocar as pessoas no “centro” do que fazemos trás uma responsabilidade acrescida a cada um de nós como cidadãos e, claro, uma enorme responsabilidade às diferentes instituições e empresas.

Para olhar para este mundo VUCA com naturalidade, teremos que comunicar mais e mais. Enquanto responsáveis de pessoas, temos que saber lidar com esta realidade com alguma agilidade. E coragem também. “Respondemos” com visão à volatilidade. Indicando o caminho, garantindo que todos sabem para onde vão, apresentando uma visão clara, explicando porquê.

Lidamos melhor com a incerteza enfrentando a realidade como ela é, com humildade, desenvolvendo a curiosidade das nossas pessoas, inspirando-as, promovendo a partilha e sinergias internas. É entre clientes e colegas que está a chave para compreender melhor o que está a mudar no mercado.

Para além disto, a complexidade causa muitas vezes a necessidade obsessiva de criar procedimentos e regras para tudo, o que, num mundo volátil, não funciona. Devemos reagir com clareza … mais comunicação, procurar simplificar, dar feedback, sermos cada vez mais autênticos. “Less is more”!

E aquela sensação de perda de controlo relativamente ao que “é” e “não é”? Que nos causa tantas vezes a ideia de estarmos perdidos, de desorganização… Precisamos de ser mais ágeis; temos que ter a capacidade de reagir de acordo com as circunstâncias, ter modelos de negócio mais “leves” para promover o empowerment dos colaboradores na tomada de decisão. Mais uma vez, a comunicação. Tem que ser muito rápida, evitando “ruido de corredor” e criando sentido de urgência para a acção.

Acredito mesmo que a comunicação pode ser um dos nossos grandes aliados neste mundo que agora é VUCA – Vision, Understanding, Clarity, Agility.

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro da Human Resources, na rubrica “Conselheira”.

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