Os Recursos Humanos estão a falhar na gestão? A solução pode estar na IA

Os avanços tecnológicos têm mostrado às empresas e líderes a urgência de se reinventarem e os responsáveis de Recursos Humanos não são excepção, avança o Entrepreneur.

Os directores de Recursos Humanos (CHRO) e as suas equipas são excelentes na elaboração de estratégias e na implementação de sistemas, mas não avançaram onde mais importa: capacitar os gestores da linha da frente para gerar resultados através de melhores decisões. Para isso, devem alargar o seu alcance e capacitá-los, reduzindo o fosso entre a estratégia e a execução e a IA pode ajudar a tornar isso realidade.

Como fazê-lo?

Para as organizações que levam os resultados a sério, os gestores são a peça-chave. São responsáveis ​​por cerca de 70% da variação no engagement da equipa. Quando os gestores prosperam, as equipas são mais produtivas, rentáveis ​​e resilientes. Quando enfrentam dificuldades, a falta de engagement espalha-se por toda a organização.

A verdade é que o engagement dos gestores caiu para menos de 30% em 2024 (o dos colaboradores caiu para cerca de 20%), custando cerca de 438 mil milhões de dólares em perda de produtividade.

Enquanto supervisionam o dobro das pessoas em comparação com há cinco anos, têm de lidar com equipas híbridas e mudanças constantes — muitas vezes com pouca formação ou apoio.

Muitos procedimentos e ferramentas foram implementados para gerir pessoas, mas pouco foi feito para melhorar a qualidade das decisões dos gestores sobre essas pessoas e o seu trabalho.

Os sistemas de gestão do desempenho por exemplo, reportam o desempenho dos colaboradores mas raramente geram melhores resultados. Por si só, estas ferramentas têm pouca influência na forma como os gestores contratam, orientam, alocam talento ou respondem a sinais de esgotamento e rotatividade.

Estes gestores precisam de contexto e confiança. Isto significa ser capaz de explorar as opções para as melhores decisões em relação às pessoas, as possíveis consequências dessas decisões, o que os outros fizeram e o que a equipa de liderança prescreveu — tudo isto com base em dados concretos, e não em mera intuição.

Os gráficos com dados e os relatórios trimestrais não oferecem isso. Para os CHRO, preencher esta lacuna exige medidas ousadas (com uma pequena ajuda da IA).

Passo 1: Redefinir o objectivo principal dos RH

Os departamentos de RH precisam de uma nova missão — uma que vá além da conformidade, do registo de dados e do controlo de custos. Este objectivo principal não é apenas o impacto nos talentos… são os resultados para o negócio.

Em vez de simplesmente reportar o desempenho dos colaboradores, como podem os RH impulsionar a produtividade? Os gestores — e não as necessidades internas dos RH — devem ser o foco do seu modelo de entrega. Isto significa trabalhar de trás para a frente, partindo de um dia na vida de um gestor. O que os pode ajudar a tomar melhores decisões sobre talento todos os dias?

Passo 2: Repensar a relação dos RH com a IA

Hoje, os CHRO têm uma oportunidade de ouro. A IA está a mudar não só a forma como o departamento opera, mas também a própria natureza do trabalho — e estão no centro desta mudança. Felizmente, muitos CHRO compreendem isso. Num inquérito recente aos líderes de RH sobre as prioridades para 2026, aproveitar a IA para revolucionar o trabalho ficou em primeiro lugar.

O fundamental é garantir que a IA não se torna apenas mais uma forma de os RH optimizarem a eficiência, mantendo-se na sua área tradicional. Em vez disso, os RH devem vê-la como um verdadeiro sistema de gestão que estende a intenção estratégica às decisões quotidianas relacionadas com as pessoas.

Pense na IA como um novo sistema nervoso para a empresa, que permite um fluxo directo de insights de cima para baixo em toda a organização disponibilizando aos gestores informações em tempo real para tomarem melhores decisões.

Passo 3: Ser o elo na organização

Transformar a IA num sistema de gestão da empresa exige a quebra de silos organizacionais e de dados. O director de Recursos Humanos (CHRO) necessita de formar parcerias estratégicas com o director Financeiro (CFO) e o director de Tecnologias de Informação (CIO).

Quando todos trabalham em conjunto, as empresas podem combinar dados de pessoas, de negócios e análises baseadas em IA para revelar insights reais. Esta combinação é fundamental para melhorar o desempenho empresarial, mas exige a superação de desafios relacionados com a privacidade, segurança, governance e práticas de trabalho consolidadas.

Em última análise, este momento exige que os RH estejam à altura da situação — indo além da gestão para ligar as pessoas de toda a organização com os dados e insights necessários para gerar impacto no negócio.

Passo 4: Dar aos gestores ferramentas adequadas

Claro que os insights pouco importam se os gestores da linha da frente não tiverem as ferramentas para os compreender e utilizar. A usabilidade e a acessibilidade são fundamentais. Os gestores precisam de respostas baseadas em dados e orientadas para a estratégia.

As análises mais recentes, impulsionadas pela IA, permitem aos gestores colocar questões em linguagem simples no Excel, Teams, Slack e outras aplicações de gestão de pessoas — e obter respostas e recomendações em tempo real.

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