
Os verdadeiros desafios que nos esperam em 2026
Por Ricardo Florêncio
À medida que nos aproximamos de 2026, torna-se cada vez mais evidente que os grandes desafios que enfrentamos não podem ser vistos, nem tratados, de modo isolado. A reforma da legislação laboral, o futuro do trabalho, os impactos reais da inteligência artificial, as reorganizações profundas que as empresas estão a levar a cabo, bem como a saúde e o bem-estar, as competências e o conhecimento das pessoas, fazem tudo parte de um mesmo ecossistema. Ignorar esta interdependência é um erro que nos pode sair caro.
A inteligência artificial, por exemplo, não é apenas uma questão tecnológica. Ela redefine funções, altera modelos de negócio, exige novas competências e coloca pressão adicional sobre lideranças. Que ou estão, ou não estão preparadas. Ao mesmo tempo, as empresas reestruturam-se para dar resposta a um contexto económico incerto, muitas vezes com impactos directos na estabilidade emocional e na saúde mental das pessoas. Falar de produtividade sem falar de bem-estar é outro erro.
A isto soma-se uma crescente carga regulatória. As obrigações de reporte multiplicam-se, consomem tempo, recursos e energia, e levantam uma questão incómoda: estamos a criar mais valor ou apenas mais burocracia? Em muitos casos, dá ideia que o resultado desloca-se do seu objectivo inicial para o seu cumprimento formal, afastando-se do verdadeiro propósito que essas regras pretendiam atingir.
O futuro do trabalho não se constrói apenas com leis, tecnologia ou relatórios. Constrói-se com pessoas capazes, motivadas, com competências adequadas, mas também com pessoas com uma forte capacidade de relacionamento interpessoal, pensamento crítico e adaptação. Se continuarmos a olhar para cada um dos temas de forma isolada, arriscamo-nos a continuarmos a trabalhar árvore a árvore, sem perceber que o equilíbrio da floresta é o que é o essencial.
2026 não será um teste ao que sabemos fazer, mas à nossa capacidade de pensar de forma integrada. E sim, vai ser um tremendo desafio.
Editorial publicado na revista Human Resources nº 180, de Dezembro de 2025