Países Nórdicos atingem novos máximos de emigração portuguesa. Veja os números

A emigração portuguesa mudou desde que o Reino Unido abandonou a União Europeia. Os números disponibilizados pelo observatório do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Iscte (Instituto Universitário de Lisboa) e divulgados pelo Público, revelam que a Suécia e a Dinamarca atingiram novos máximos de emigração portuguesa ao longo do ano passado. Em contracorrente, a emigração portuguesa para o Reino Unido decresceu 41% em 2022.

 

Em 2022, os 7941 cidadãos que saíram para o Reino Unido não bastaram para contrariar a tendência de descida no número de imigrantes portugueses que se regista há oito anos, apesar de os britânicos terem recebido o maior número de sempre de imigrantes, mais de um milhão de entradas, das quais só 0,8% vieram de Portugal.

Rui Pena Pires, coordenador científico do Observatório da Emigração, disse ao Público que o mais expectável é repetir-se o que aconteceu com os dados anunciados no ano passado, o número de emigrantes deve manter-se estável, entre os 70 mil e os 75 mil (já a contar com algum aumento pós-pandémico), mas com mudanças de rumo. «O Reino Unido era o principal destino da emigração, para onde ia um terço da emigração portuguesa, mas, com o Brexit, está a absorver muito menos emigrantes. O que parece estar a acontecer, com o crescimento nos países nórdicos, é uma redistribuição.»

A publicação revela que ao contrário do que acontece ainda hoje no Luxemburgo ou em França, onde apenas 5% dos portugueses que deram entrada no país em 2020 eram licenciados, mais de 50% dos emigrantes que seguem para os países nórdicos todos os anos têm, pelo menos, uma licenciatura. Na Suécia, por exemplo, 60% dos emigrantes portugueses que entraram no país em 2020 são licenciados, o triplo do que se registava duas décadas antes.

Em 2022, foram 547 os portugueses que emigraram para a Suécia, de acordo com dados da Statistics Sweden. O número representa apenas 0,5% do total de imigrantes registados no país e menos de 1% da emigração portuguesa. Mas é, ainda assim, um aumento de 34,1% em relação aos valores de 2021 e um número seis vezes superior ao registado duas décadas antes.

O mesmo fenómeno registou-se na Dinamarca, onde a emigração portuguesa atingiu um novo máximo de 1812 entradas em 2022, comunicou o Denmark Statistik ao Observatório. O número de portugueses que emigraram para a Dinamarca está a aumentar ininterruptamente desde 2018, mesmo com as restrições impostas às viagens durante a pandemia, e tem atingido novos picos todos os anos, desde 2020. Aliás, apesar de representar apenas 1,5% da imigração para a Dinamarca e 1% das saídas de Portugal, a emigração de portuguesa para este país aumentou 66,2% de 2020 para 2021 e 12,6% no ano seguinte.

A Suécia e a Dinamarca não são casos únicos. A emigração portuguesa aumentou pelo segundo ano consecutivo na Áustria (797 portugueses) e na Noruega (784 emigrantes), subiu 9% na Alemanha (5935 portugueses) e atingiu o segundo valor mais alto do século na Islândia (360 entradas), avança também o Observatório da Emigração

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