Precisamos evoluir para o conceito de Trabalhador 4.0

Human Resources
16 de Março 2021 | 21:00

Mais importante que a transformação digital da empresa, é a transformação digital das pessoas. É delas, também, que deve fazer  parte a transformação digital nas PME.

 

Por Fernando Pacheco, Chief Operating Officer (COO) da PackIOT

 

Quando as Pequenas e Médias Empresas (PME) priorizam as pessoas e constroem um estado de espírito digital, podem alcançar a vantagem competitiva para ter sucesso na nova dinâmica económica.

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Com a globalização e os avanços da tecnologia, as PME aproveitam as ferramentas digitais para melhorar sua competitividade e sustentabilidade para criar novas fontes de valor. Para responder às necessidades dos clientes, as PME precisam fornecer operações com capacidade digital, publicidade direccionada e interações fluídas com clientes. Isto dá origem ao crescimento gigantesco das oportunidades e “funções digitais”, como engenheiros de automação, cientistas da informação e profissionais de marketing digital muito especializados.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores actuais vão experimentar uma interrupção nas funções habituais, onde as tarefas repetitivas serão feitas por soluções digitais que aproveitam a automação de processos robóticos e tecnologias de automação inteligentes. Isto implica que os trabalhadores precisam fazer a sua própria transição para se adaptarem a tarefas novas e estratégicas. É um conceito de Trabalhador 4.0.

As grandes empresas estão a descobrir que a transição da sua força de trabalho para as novas funções não é uma tarefa fácil. O desafio é maior para as PME, algo compreensível, dadas as restrições de recursos. Estas empresas não têm o mesmo grau de acesso a “talentos digitais” e enfrentam desafios de actualização ou requalificação da equipa existente. Além disso, as PME lutam para identificar quais as competências e funções necessárias para cumprir a sua agenda digital.

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Muitas PME lutam para priorizar e estabelecer programas de desenvolvimento eficazes para formar digitalmente os seus funcionários em conjunto com outras prioridades de negócios. De partida, estas companhias estão ainda em desvantagem quando os candidatos a empregos com determinadas competências digitais, consideram essas empresas menos atraentes do que as grandes corporações. Por isso é necessário que as PME sejam mais pró-activas para fechar a lacuna entre a sua força de trabalho actual e uma força de trabalho voltada para o futuro, que pode maximizar a produtividade e fazer investimentos digitais de alto impacto.

 

Despoletar a mudança como indivíduo

As empresas são feitas de pessoas e nenhuma organização pode despoletar a sua transformação digital sem a equipa. Os trabalhadores precisam iniciar essa nova mentalidade. Muitas vezes, entre os trabalhadores que não participam nesta revolução, existe o sentimento de querer defender o seu emprego ou “manter as coisas como estão”. Porém, quem defende o status quo não percebe que, ao não ajudar a empresa a caminhar para o futuro, está a “ajudar” a que ela deixe de existir em alguns anos. A inovação não é o inimigo. O inimigo é ficar parado.

É uma parte vital das competências do futuro do trabalho ser capaz de negociar, convencer os outros e trazer inovações activamente. Não se trata de tecnologia, mas de competências cognitivas e ter a mentalidade certa. Um estudo do Mcisney Global Institute, reflete que o medo do abandono do emprego pode ser infundado. Com o tempo, os mercados de trabalho ajustam-se às mudanças na procura de trabalhadores devido a rupturas tecnológicas, embora às vezes com salários reais deprimidos. Esse estudo assinala que “podemos esperar que 8 a 9% da procura de trabalho de 2030 esteja em novos tipos de ocupações que não existiam antes”.

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Ao longo do tempo temos visto muitas disrupções positivas na indústria. São as pessoas que efectivamente executam o trabalho que mais ganham com as formas de melhorar as suas funções. Quando os operadores de fábrica provocam as mudanças e dizem como a digitalização facilita a sua vida, é sinal que uma revolução  positiva está a acontecer.

A reflexão realmente permanece: não é a transformação digital da empresa, mas a transformação digital das pessoas.

 

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