Produtividade dinâmica: quando liderar é criar contexto

Por Alexandra Barosa, directora executiva do Curso de Coaching Executivo da Nova SBE e Managing partner da ABP Corporate Coaching

 

A produtividade não depende de quem trabalha mais, mas de quem trabalha em melhores condições. Num mundo de mudança acelerada, o verdadeiro diferencial competitivo das organizações está no desenho inteligente do trabalho e na capacidade dos líderes em criar contextos em que o talento, a aprendizagem e a inovação florescem.

Durante anos, alimentámos uma narrativa sedutora: equipas produtivas são aquelas que trabalham mais, mais rapidamente e sob mais pressão. Contudo, a investigação e a experiência prática mostram exactamente o contrário. A produtividade não é um atributo individual; é um resultado sistémico. Surge quando o trabalho é bem concebido, quando as pessoas se sentem seguras, valorizadas e com voz activa. Ignorar estes factos tem sido um dos maiores erros de gestão das últimas décadas.

Então, se o que realmente diferencia equipas produtivas é o contexto em que trabalham, o que estão os líderes das organizações a descurar para que esta verdade tão óbvia não aconteça?

As organizações ainda operam com um mindset da obsessão pelo esforço e pela velocidade que, no fundo, gera desgaste, medo e mediocridade, e não necessariamente melhores resultados. Quando o trabalho é mal desenhado, as pessoas deixam de criar e passam a sobreviver. O foco desvia-se da excelência para a autoprotecção, e o talento esgota-se em tarefas sem propósito.

A produtividade sustentável exige autonomia e voz. Delegar tarefas sem poder é condenar as pessoas ao mínimo. Profissionais que participam nas decisões sentem-se donos do que entregam e contribuem com inteligência activa, não apenas com a execução. A verdadeira eficiência nasce quando quem está mais próximo dos problemas tem espaço para propor soluções.

Os líderes das organizações estão a descurar as capacidades dinâmicas!

As capacidades dinâmicas são a capacidade da empresa para integrar, construir e reconfirmar recursos para enfrentar e moldar ambientes empresariais em rápida mutação. As capacidades dinâmicas ajudam as organizações a desenvolver e melhorar recursos como o conhecimento e são diferentes das capacidades operacionais, estáticas por natureza. Ao contrário das capacidades operacionais, as capacidades dinâmicas dependem de pessoas que aprendem, colaboram e inovam.

Aqui, o papel da liderança é determinante. Cabe aos líderes criar as condições para que essas capacidades floresçam: promover o diálogo entre equipas, incentivar a experimentação segura, alinhar o digital com a inovação e investir no desenvolvimento contínuo de capacidades dinâmicas. Um líder que reconhece e valoriza o potencial das suas pessoas transforma o contexto de trabalho num espaço de aprendizagem activa. Em última análise, são os líderes que definem se uma organização reage ao futuro ou o constrói.

O futuro do trabalho será das organizações que desenvolvem líderes que compreendem que a produtividade nasce do bem-estar, da autonomia, da voz e da capacidade dinâmica de aprender, adaptar e reinventar-se continuamente. Tudo o resto são ilusões caras que as organizações já não podem permitir.

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