
“Quiet cracking” no trabalho? A “regra dos 43” pode ajudar
No ano passado, o stress e a pressão no trabalho afectaram “sempre” ou “frequentemente” pouco mais de um terço (34%) dos trabalhadores do Reino Unido, com 91% a experienciar períodos agudos de ambos em pelo menos um momento, levando ao aumento do risco de burnout, avança o HuffPost UK.
Os especialistas alegam que o aumento do “quiet cracking”, ou seja uma desconexão lenta, mas certa, do trabalho acontece quando os colaboradores estão esgotados. Se é o seu caso, a “regra dos 43” pode ajudar.
Um artigo de 2025 publicado no Journal of Applied Psychology descobriu que os benefícios das férias para o bem-estar duram pelo menos 21 dias – ou talvez mais. Os investigadores descobriram que os efeitos positivos podem perdurar até 43 dias (férias que combinavam o tempo em casa com o tempo fora pareciam apresentar resultados mais duradouros).
Em entrevista à Stylist, a psicóloga corporativa e coaching Hazel Anderson-Turner sugeriu que utilizar esta investigação para planear as pausas pode resultar em trabalhadores mais felizes e menos esgotados.
Pode também ser uma boa forma de combater a “acumulação de férias” — que levou pouco menos de dois terços dos trabalhadores do Reino Unido a deixar de gozar as férias no ano passado.
«A acumulação de férias pode estar relacionada com a ansiedade, com a ideia de que podemos precisar desse tempo livre para lidar com uma emergência ou de que seremos julgados pelos colegas e superiores se tirarmos férias anuais. Mas pode levar ao esgotamento — e isso não é bom para o indivíduo nem para a organização», afirma Margaret Lewis, CEO da Sheffield Mind.
Não têm de ser exactamente 43 dias, é apenas uma orientação para saber quando pode estar com burnout ou a precisar de uma pausa. Mas também existem outros sinais, como sentimentos extremos de inveja ao ver os amigos e entes queridos numa pausa, perda de paciência com o trabalho e os colegas e até mesmo sono de má qualidade.
«Estamos numa epidemia de burnout. Para proteger os nossos colaboradores e o desempenho empresarial, o bem-estar não pode ser uma reflexão tardia; deve ser incorporado no cerne da operação das empresas. Incentivar os colaboradores a tirar férias regularmente é uma parte fundamental disto», acrescenta Phil Coxon, director geral da Breathe HR.
«Não me refiro apenas a um lembrete ocasional para fazer uma pausa. As palavras devem ser apoiadas por acções. O tempo livre precisa de ser genuinamente viável para os colaboradores e activamente encorajado ao longo do ano.»
Do ponto de vista pessoal, porém, fazer pausas quando necessário pode ser fundamental – e se a “regra dos 43” ajudar, a ciência apoia.