Rita Oliveira Pelica, ONYOU: É tempo de fazer o check-in!

Intraempreender pode ser uma jornada com um destino inesperado. É embarcar numa viagem, não turística, mas antes pessoal e transformadora. Começa com um gesto aparentemente simples: fazer check-in connosco próprios e decidir partir. Mas, mais do que se alcançar um destino, trata-se de estar disponível para explorar.

Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer da ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

 

Cada iniciativa intraempreendedora nasce de uma inquietação, de uma vontade de fazer acontecer e de descobrir novas formas de pensar e agir dentro da organização. Não há bilhetes nem guias turísticos, apenas
o impulso de partir. Tal como nas viagens mais marcantes, o percurso importa mais do que a chegada, o valor não está no destino, mas sim na transformação e nos desafios que o caminho proporciona, até quando nos perdemos em parte incerta. Intraempreender não é ter todas as respostas, é fazer melhores perguntas e procurar percursos ainda não trilhados.

Intraempreender é embarcar numa viagem que começa por dentro. Tal como em qualquer viagem, há um momento simbólico de partida: o check-in. É um gesto voluntário, muitas vezes solitário, que marca o início do movimento. Fazer check-in é assumir a vontade de sair da rotina, de procurar sentido, de criar algo novo dentro dos limites do conhecido.

Todas as viagens exigem (alguma) preparação. É preciso saber ler mapas, conhecer o terreno, perceber onde estamos antes de decidirmos para onde queremos ir. E “aceitar” que nos podemos perder e voltar a encontrar noutros locais. No contexto organizacional, isso significa com preender a cultura, os processos, os silêncios e as oportunidades.

O intraempreendedor não ignora o contexto, interpreta-o. Um bom mapa ajuda a evitar armadilhas e a reconhecer atalhos, mas não garante o sucesso. Porque, no fundo, é a curiosidade que determina o rumo, que nos faz levantar os olhos do mapa, questionar as rotas seguras e explorar territórios ainda desconhecidos. É este olhar curioso que permite ouvir o que ninguém está a dizer, ver o que ainda não foi construído e propor caminhos que outros não encontraram ainda. Intraempreender é, em grande medida, este equilíbrio paradoxal entre o planeamento e a exploração, a estrutura e a flexibilidade.

Mas nem todas as viagens seguem o plano inicial. Há desvios, escalas imprevistas, momentos de turbulência. E é precisamente nestes momentos, em que tudo sai fora do previsto, que surgem as maiores aprendizagens. É preciso ter a“cabeça nas nuvens”, para imaginar o que ainda não foi feito, mas com os pés assentes na terra, isto é, na realidade da empresa. A inovação acontece no equilíbrio entre o sonho e a execução. No decurso da viagem, também é fundamental saber parar. As pausas e o descanso mental não são luxos exclusivos de quem viaja em “executiva”. São uma condição para pensar melhor, criar com profundidade, conectar ideias que, no ritmo frenético do dia-a-dia, nunca se cruzariam. Numa cultura organizacional que valoriza a ocupação constante, intraempreender é também um acto de resistência: o de criar espaço para a reflexão e para o silêncio criativo.

Ao regressar desta viagem (existencial), o intraempreendedor já não é o mesmo. Traz consigo novos mapas, novos olhares e, muitas vezes, novas perguntas e uma energia que contagia quem o rodeia. Porque intraempreender não é apenas uma viagem individual – é um acto de transformação colectiva e de contínua exploração, onde o mais importante é o que se transforma em nós e à nossa volta, pelo simples facto de termos decidido partir.

Estará pronto para embarcar na sua próxima viagem e fazer check-in?

 

Este artigo foi publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources, nas bancas.

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