Rui Fiolhais, presidente do Instituto de Segurança Social: «Foi preciso um terramoto para percebermos que podemos mudar»

Rui Fiolhais, presidente do Instituto de Segurança Social, destaca que foi preciso 25 anos depois da primeira tese sobre teletrabalho em Portugal, para que «o trabalho à distância se tenha tornado um refrão cantado, com crescente gosto e decrescentes custos, pela esmagadora maioria das empresas». Leia a sua análise aos resultados do XXXV Barómetro Human Resources.

 

«Quando, há 25 anos, completei a minha tese de mestrado, estava longe de imaginar o tremendo impacto do tema na sociedade portuguesa. O título era chato e comprido como a espada do D. Afonso Henriques: “Sobre as implicações jurídico-laborais do teletrabalho subordinado em Portugal”. O confronto entre o velho direito do trabalho e o admirável mundo novo tecnológico só podia dar faísca. Foi o que deu numa brava defesa de dissertação, em que, na rebeldia dos meus verdes anos, profetizava o fim do clássico direito do trabalho e a emergência de um explosivo mosaico, mais ou menos desregulado, de novas formas de vender a força de trabalho. A pulsão era a de anunciar um novo evangelho, mas como ninguém é bom profeta na sua terra, lá acabei a pregar no deserto.

O amor nacional ao relógio de ponto, casado com a bênção de sermos um povo gregário, continuou a encher as empresas de mão-de-obra encaixotada. Foi preciso chegar o terramoto da pandemia para percebermos que podemos mudar de vida. O que vale é que somamos a estas marcas tribais uma capacidade infinita de adaptação. Só assim se explica que, 25 anos depois da primeira tese sobre teletrabalho em Portugal, o trabalho à distância, nas suas infinitas modalidades, se tenha tornado um refrão cantado, com crescente gosto e decrescentes custos, pela esmagadora maioria das empresas.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Abril (nº. 124)  da Human Resources, no âmbito da XXXV edição do seu Barómetro.

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