Sabe o que é a ambidestria organizacional? Vai querer desenvolvê-la na sua empresa

Sandra M. Pinto
8 de Outubro 2020 | 16:15

Desenvolvido pelo professor de Stanford, Charles O’reilly, o conceito trabalha áreas opostas e complementares que ajudam na melhoria constante de processos, ao mesmo tempo que cria inovação e antecipa necessidades dentro das empresas.

 

Como sabemos os termos destro e canhoto, referem-se ao lado do corpo que um indivíduo utiliza com mais frequência ou habilidade. Já ambidestria é a capacidade de utilizar ambos os lados com a mesma destreza. O site napratica.org afirma que essa ideia foi levada para as organizações para tentar alinhar estratégias que até então eram divididas e até mesmo opostas: processos de inovação com o aumento da eficiência de uma empresa, o que fez surgir uma nova skill: a ambidestria organizacional.

O conceito foi desenvolvido pelo professor de administração da Universidade de Stanford, Charles O’reilly. Enquanto estudava lideranças disruptivas, percebeu a necessidade de investir na melhoria constante de processos, serviços e produtos já existente nas organizações, ao mesmo tempo que inovava e antecipava as necessidades dos clientes. Até a década de 90, as práticas eram vistas como incompatíveis mas, no novo mercado de trabalho, elas podem ser o segredo para o sucesso.

Desenvolver a ambidestria organizacional nos profissionais

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A consultora organizacional, Maria Augusta Orofino afirma que traduzir a ambidestria organizacional nas pessoas consiste em relacionar o lado analítico com o criativo. «Os profissionais precisam de utilizar o lado mais racional, ligado às metas e resultados, e aliá-lo com a abordagem mais criativa. Começámos a perceber essa integração com o design thinking e as empresas perceberam que é possível desenvolver equipas multidisciplinares para trabalhar numa solução, visando o lucro e usando a inovação para agregar valor aos consumidores», explica.

E cada profissional pode ser protagonista de acções inovadoras que também procuram resultados positivos para a empresa. «Um bom exemplo é a pandemia do coronavírus. Em quantos processos tivemos que nos reinventar dentro de casa, usando a criatividade e a inovação para suprir uma necessidade de entrega formal e analítica? Isso já existe dentro de nós, basta considerar os dois lados do cérebro. É preciso estimular essa capacidade de procurar soluções para problemas do dia a dia. Cada vez consigo trazer uma nova solução, trago também inovação e entrego valor», esclarece Maria Augusta Orofino.

O analista de projectos da consultoria estratégica Tiago Paz ressalva que para isso os profissionais precisam de empresas que apoiem esse processo. «Para uma empresa inovar, é preciso que ela tenha uma configuração organizacional com flexibilidade, tolerância ao erro e investimento de riscos. Isso é uma forma de se organizar diferente da voltada para a excelência organizacional, que tem processo mais definidos e menos tolerância ao risco. O grande desafio é equilibrar essas duas abordagens e o profissional não consegue desenvolver a ambidestria organizacional se encontrar empecilhos num dos lados», esclarece.

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Se uma empresa pensa só num dos lados, ela acaba por perder competitividade seja por não acompanhar as inovações ou por não entregar resultados constantes e satisfatórios. «A empresa precisa de estar preparada na parte organizacional e inovação. Quando o individuo entra de facto nesse contexto, ele consegue ajudar a organização. Para isso, ele precisa tanto de formação técnica, quanto de soft skills. Procurar constantemente o conhecimento, capacitar-se e estar atento às novas tecnologias vai ajudá-lo a ter esse olhar de 360 graus, a perceber tendências e a enquadrar-se em organizações preparadas para a ambidestria organizacional», indica.

Maria Augusta complementa que empresas que não incentivam a ambidestria organizacional mantêm processos de comando e controle autoritário. «Quando eu não acredito que existem possibilidades para a minha equipa trazer inovações e novas ideias, eu torno-me autoritário. É uma visão muito fabril, que pretende criar pessoas que se limitem a cumprir funções, sem espaço para o surgimento de novas ideias», indica.

Trabalhar a ambidestria organizacional é uma exigência do mercado de actual. «O profissional precisar de dar muitas ideias e trazer soluções porque não sabemos o que vai acontecer daqui a dois meses. Temos de estimular cada vez mais a criatividade, o entendimento de problemas complexos e a capacidade de solucionar essas questões. E isso passa pela inovação. Não podemos deixar isso para depois, precisamos disso agora. Empatia, resiliência e criatividade nunca foram tão necessárias, aliadas à entrega de resultados», ressalta a consultora.

Tiago Paz acredita que a crise do coronavírus veio evidenciar a necessidade de trabalhar a ambidestria organizacional. «É uma capacidade que ajuda as empresas e os profissionais a navegar pela inovação, aproveitar oportunidades e dar continuidade às operações diárias. O profissional torna-se mais competitivo, principalmente devido a esse ambiente complexo. É preciso que ele saiba navegar, que perceba o ambiente externo, que saiba agir e pensar de forma diferente, entregando eficiência e pensando em novos caminhos, sem ficar preso a uma rotina já estabelecida», finaliza.

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