Sandra Brito Pereira, Banco Montepio: A essência da relação empregador-empregado tem de ser repensada

Sandra Brito Pereira, directora de Recursos Humanos do Banco Montepio, acredita que «num momento em que se assumem novas realidades de trabalho, como o híbrido ou o trabalho remoto, as empresas deverão efectivamente repensar a essência da relação empregador-empregado, ajustando-a às necessidades da empresa e ao lifecycle dos colaboradores, de forma a garantir uma relação mais saudável, com maior integração entre vida profissional e familiar».

 

«É interessante verificar que a maior parte dos gestores assume que os salários em Portugal são “baixos”, e que isso está intrinsecamente relacionado com a especificidade da nossa realidade nacional e a falta de capacidade das empresas para incrementar de forma significativa as remunerações dos colaboradores. Os factores produtividade e impostos sobre as empresas são apontados como as razões fundamentais para os baixos salários no nosso país.

Num mercado de trabalho global, em que qualquer um de nós pode trabalhar a partir de qualquer lugar, é preocupante o rumo da falta de competitividade que as empresas portuguesas estão a trilhar face à oferta do mercado europeu e global. Se a isto aliarmos a escassez de talento em áreas especializadas, temos dificuldades acrescidas para as empresas portuguesas no médio e longo prazo.

Neste contexto, outro aspecto relevante é o movimento de “reshuffle”, visível já nas razões de saídas dos colaboradores nas empresas portuguesas. A “vontade de mudar” assume um peso expressivo, quase tão importante como as questões salariais. Num momento em que se assumem novas realidades de trabalho, como o híbrido ou o trabalho remoto, as empresas deverão efectivamente repensar a essência da relação empregador-empregado, ajustando-a às necessidades da empresa e ao lifecycle dos colaboradores, de forma a garantir uma relação mais saudável, com maior integração entre vida profissional e familiar, com dividendos significativos em termos de saúde física e mental. Estas variáveis de salário emocional são muito impactantes e fazem parte crucial das nossas agendas na gestão de pessoas – mas não esqueçamos que: “when you pay peanuts, you get monkies”.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Julho (nº.139) da Human Resources, no âmbito da XLII edição do seu Barómetro. Está nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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