Joana Russinho, DLA Piper Portugal: Tendências de Gestão de Pessoas nas PME

Human Resources
20 de Março 2025 | 14:00

As respostas às tendências de Gestão de Pessoas são frequentemente analisadas tendo em vista as grandes empresas, deixando-se de lado a realidade das pequenas e médias empresas (PME). De facto, estas primeiras têm mais recursos; no entanto, independentemente da dimensão da empresa, as pessoas que fazem o negócio acontecer em cada uma delas partilham aspirações semelhantes.

 

Por Joana Russinho, directora de Recursos Humanos na DLA Piper Portugal

 

O desafio para as PME está na necessidade de acompanhar estas tendências – a título de exemplo, implementação de inteligência artificial, de programas de capacitação ou iniciativas de bem-estar – sem a mesma capacidade de investimento, mas com a mesma vontade (ou até mais), encontrando soluções viáveis para captar, desenvolver e reter talento. Ignorar este universo empresarial pode levar a uma leitura enviesada das tendências de Gestão de Pessoas, porque as PME representam uma parte significativa da economia portuguesa.

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Como podem então as PME acompanhar as tendências, tendo em conta as suas especificidades? A resposta passa por reconhecer e potenciar os factores que as tornam únicas na Gestão de Pessoas. Destaco algumas dessas características, bem como sugestões para as maximizar:

1. Alinhamento estratégico. Nas empresas familiares, a paixão e o propósito dos fundadores moldam frequentemente a identidade organizacional das PME. O alinhamento estratégico sentido reforça o engagement das equipas, reduzindo a rotatividade e melhorando a produtividade, ao promover o reconhecimento individual. Definir propósito e valores, partilhar histórias de sucesso e realizar reuniões no terreno são formas eficazes de potenciar esse alinhamento.

2. Desenvolvimento contínuo. A agilidade estrutural das PME facilita a implementação de iniciativas de onboarding e upskilling, com foco na aprendizagem prática e atribuição de novos projectos como principais fontes de desenvolvimento. A operacionalização de uma integração prática, que inclua execução de tarefas, shadowing com desafios reais ligados à função e mentorias cruzadas, pode ser uma opção.

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3. Inovação e eficiência. Com recursos limitados, as PME destacam-se pela capacidade de inovar e encontrar soluções eficientes para superar desafios. Esta característica promove o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, alinhadas com as necessidades do mercado, representando também um factor de motivação extra. Explorar a formação de parcerias com startups ou universidades locais para aceder a serviços, ou consultorias gratuitas em troca de colaboração, pode representar uma vantagem competitiva.

4. Tecnologia aplicada à gestão. A adopção de plataformas de people analytics permite uma monitorização eficiente das métricas de Gestão de Pessoas, facilitando a tomada de decisão baseada em dados. Existem ferramentas desenvolvidas especificamente para PME, sem os custos elevados das soluções utilizadas por grandes empresas. A utilização do Excel ou Google Sheets para acompanhar métricas-chave, como horas de formação realizadas, feedbacks recebidos ou turnover, continua a ser uma opção eficaz.

5. Reconhecimento individualizado. O contributo de cada colaborador é facilmente visível e tem impacto directo nos resultados. Profissionalizar a avaliação do desempenho e a prática de feedback, bem como estruturar e individualizar a atribuição de benefícios, é uma estratégia que pode reforçar o reconhecimento e a motivação das equipas.

As PME são a espinha dorsal da economia e, ao adoptarem abordagens inovadoras e adaptadas à sua realidade, podem transformar desafios em oportunidades. A Gestão de Pessoas nestas organizações não deve ser vista como uma limitação de recursos, mas sim como uma oportunidade para criar modelos e processos mais ágeis, humanos e eficazes. A chave está na adaptação contínua e no reconhecimento de que a gestão estratégica de talento é um factor decisivo para um crescimento sustentável.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 170) da Human Resources, nas bancas.

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