
Abuso cibernético no namoro: estudo identifica jovens com maior propensão para padrões abusivos
Um estudo do Instituto Superior de Serviço Social do Porto analisou de que forma as experiências familiares influenciam comportamentos abusivos em relações amorosas mediadas pelas tecnologias digitais.
Os resultados evidenciaram que os jovens do sexo masculino reportaram níveis mais elevados de perpetração de agressões directas online e também maior vitimação por controlo, com 42,2% dos participantes a responderem que o meu parceiro ou ex-parceiro já controlou as actualizações no meu perfil da rede social.
As tipologias mais identificadas de abuso cibernético no namoro foram:
O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já controlou as actualizações no meu perfil da rede social (26,9%).
O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já utilizou as novas tecnologias para controlar onde é que eu estive e com quem (26,2%).
O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já utilizou as novas tecnologias para controlar onde é que eu estive e com quem (29,7%).
O(a) meu/minha parceiro(a) ou ex-parceiro(a) já controlou as minhas amizades das redes sociais (31,5).
Observou-se ainda que a duração das relações amorosas está associada a diferenças significativas: jovens em relações entre um e três anos reportaram mais experiências de abuso, sugerindo que a exposição prolongada pode aumentar a probabilidade de reconhecer ou vivenciar comportamentos abusivos, o que vai ao encontro da literatura.
Outro dado relevante foi o impacto das dinâmicas familiares. Jovens que cresceram em ambientes marcados por violência revelaram maior propensão para reproduzir padrões abusivos nas suas próprias relações. A escolaridade paterna também surgiu como um factor a considerar: assinalando-se uma possível relação entre níveis mais baixos de instrução e maior incidência de contextos familiares coercivos.
Em síntese, a investigação, coordenada por Madalena Sofia Oliveira e Hélder Alves, confirma que o abuso cibernético no namoro não pode ser dissociado das experiências familiares, reforçando a importância da intervenção precoce e da educação para relações saudáveis. O trabalho sublinha a necessidade de políticas públicas que integrem a prevenção da violência digital, incluindo campanhas de sensibilização e programas de apoio a jovens, famílias e escolas.
O estudo foi conduzido com 286 participantes entre os 15 e os 25 anos, maioritariamente do sexo feminino (84%).