Barómetro: A saúde mental está a degradar-se nas organizações e os líderes não estão preparados para lidar com isso

Esta é uma das conclusões do XXXVI Barómetro Human Resources. Só 10% dos inquiridos afirmam não sentir que houve degradação da saúde mental na sua empresa. O que se torna mais preocupante quando 61% constatam que os líderes não estão preparados para ajudar os colaboradores. As competências para lidar com os novos desafios são precisamente o grande tema em destaque nesta 36.ª edição.

 

Por Ana Leonor Martins

 

O XXXVI Barómetro Human Resources, o destaque foi para o tema das competências. Perante a disrupção e transformação com que todas as empresas e profissionais foram confrontados no último ano e meio, os colaboradores tinham as competências necessárias? E os líderes? Será que é um tema prioritário nas agendas, de empregadores e trabalhadores? Como têm as empresas dado resposta à necessidade de novas competências? Com a pandemia a materializar o conceito de trabalhar a partir de qualquer lugar, vai Portugal conseguir competir, para ganhar, numa “guerra” pelo talento verdadeiramente global?

Outro tema que ganhou relevância com a pandemia e que não pode ser ignorado é o da saúde mental dos profissionais. Estarão os líderes preparados para lidar com esta realidade?

Para além destes dois grandes focos, na 36.ª edição do barómetro voltamos ao tema do recrutamento, para perceber se as empresas estão a recrutar ou a despedir, e como os responsáveis perspectivam a evolução do emprego em Portugal. Questionamos ainda o painel de especialistas sobre os custos do teletrabalho.

São os resultados a essas perguntas que agora apresentamos, que resultaram das respostas de um painel composto por cerca de 250 profissionais, maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ ou Marketing (15%). Ao longo do texto partilhamos também os comentários – na primeira pessoa – de alguns destes especialistas.

 

A qualificação e requalificação como prioridade
O tema não é de hoje, mas perante a transformação, não só na forma de trabalhar, mas muitas vezes também do negócio, tornou-se incontornável a importância das competências. Ao longo destes meses, palavras como reskilling e upskilling passaram a fazer parte do léxico comum dos gestores de Pessoas e por isso questionámos os especialistas do painel do Barómetro Human Resources se os colaboradores da sua empresa tinham as competências necessárias para responder aos novos desafios. Uma maioria considerável (66%) afirmou que “sim, as mais revelantes”, com 10% a irem mais longe e a considerarem que os seus colaboradores dispunham de todas as competâncias necessárias, o que dá uma percentagem acumulada de 76% de respostas afirmativas. Por outro lado, 14% reconheceram que não tinham, mas ressalvando que rapidamente as adquiriram. E 8% admitiram que não tinham as competências necessárias.

Centrando a análise nas lideranças, e fazendo a mesma pergunta, se tinham as competências necessárias para lidar com os desafios trazidos pela realidade imposta pela pandemia de COVID-19, a resposta “não” sobe significativamente, para 19%, e se juntamos os que admitiram que os líderes não tinham as competências necessárias, mas rapidamente as adquiriram (14%), resulta numa percentagem de 33%. Ainda assim, a maioria (59%) afirma que sim, os líderes da sua empresa tinham as competências mais relevantes, e 7% acreditam mesmo que tinham todas as competências necessárias (num total acumulado de 66%).

Embora, aparentemente, não tenham existido grandes dificuldades nas organizações a nível das competências, a larga maioria dos especialistas (86%) não tem dúvidas de que, actualmente, a qualificação e requalificação são uma prioridade quer para as empresas, quer para os profissionais. Já 5% consideram que é uma prioridade sobretudo para empresas, percentagem igual aos que dizem ser uma prioridade sobretudo para os profissionais. Só 3% são de opinião que não é uma prioridade nem para empresas, nem para profissionais.

Será no entanto inquestionável que, ao longo do último ano e meio, aumentou a necessidade das empresas por novos perfis e competências. A aposta para 64% dos inquiridos está a ser em desenvolvê-los internamente. Mas 10% admitem ir procurá-los externamente, porque os restantes colaboradores continuam em funções relevantes, enquanto para 8% essa opção é justificada por serem perfis/ competências muito específicos e, para 5%, porque os colaboradores e funções obsoletas não são reconvertíveis. De notar também que apenas 10% dos inquiridos dizem não estar à procura de novos perfis/competências.

Ainda assim, quanto às intenções de recrutamento, quase metade dos inquiridos (47%) revela planear contratar até ao final do ano. Já 32% antecipam manter as equipas e 15% admitem que vai despedir, sendo que, destes, 7% irão despedir perfis desadequados e contratar novos, adequadas às necessidades.

Analisando a taxa de desemprego, que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, diminuiu para 7,1% no primeiro trimestre do ano, os especialistas do painel perspectivam, na sua maioria (37%), que no próximos meses continue a descer. Dois por cento acham mesmo que vai diminuir significativamente. São ainda mais os que acreditam que os números do desemprego se vão manter estáveis (31%) do que os que antecipam um aumento (24%) ou um aumento significativo (7%).

Ainda que o desemprego continue a registar valores elevados, isso não diminuiu a escassez de talento com que as empresas se debatem. Com o teletrabalho forçado, que trouxe uma maior generalização do conceito de trabalhar a partir de qualquer lugar para qualquer local, tornando o talento mais global do nunca, questionámos ainda o painel do Barómetro Human Resources se iria beneficiar ou não Portugal. A esmagadora maioria (80%) confia que isso vai beneficiar Portugal, sobretudo enquanto país para viver (44%), mas também enquanto país para trabalhar (36%). E são mais aqueles que acreditam que esta realidade não vai trazer alterações à atractividade de Portugal (8%), do que os que consideram que vai prejudicar Portugal – 7% (5% acham que vai prejudicar Portugal enquanto país para trabalhar e 2% enquanto país para viver).

 

Fique a conhecer todos os resultados do XXXVI Barómetro Human Resources está publicado na edição de Junho (nº.126)  da Human Resources (se preferir comprar online, tem disponível a versão em papel ou a versão digital).

Conheça também o comentário dos especialistas:

– Maria João Martins, managing partner da My Change

– Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do Grupo Vila Galé

– Ana Porfírio, directora de Recursos Humanos da Jaba Recordati

– Pedro Rocha e Silva, CEO da Neves de Almeida HR Consulting

– Nuno Troni, director da Randstad Professionals

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