
Barómetro Human Resources: Emprego estabiliza, salários moderam. E a IA e lei laboral ganham peso
O trinómio emprego, salários e desafios repete-se sempre no Barómetro Human Resources de fim de ano, com o objectivo de fazer comparações e identificar tendências. E há algumas que são claras: o emprego estabiliza, os aumentos salariais arrefecem e surgem dois temas em destaque entre os maiores desafios para 2026: inteligência artificial e lei laboral.
Por Ana Leonor Martins
Como habitualmente, nesta altura do ano o foco da 62.ª edição do Barómetro Human Resources foi perspectivar 2026, nomeadamente em termos de evolução do emprego, dos salários e também dos grandes temas/desafios da Gestão de Pessoas, sempre desdobrando em duas vertentes: cenário geral do mercado e concreto das empresas dos especialistas do painel, para perceber se coincidem. O trinómio emprego, salários e desafios repete-se com o objectivo de fazer comparações e identificar tendências.
Mas também não faltam os temas da actualidade, neste mês com foco na rotatividade (saídas voluntárias e involuntárias) nas empresas – ou não fosse a atracção e retenção de talento sempre identificada entre os principais desafios na Gestão de Pessoas –, e a inteligência artificial (utilização que está a ser feita pelas empresas e impacto que se prevê).
Os temas foram propostos para reflexão aos especialistas do painel do Barómetro Human Resources, composto por cerca de 300 profissionais – maioritariamente gestores de Pessoas (75%), mas também presidentes (10%) e directores de Marca, Comunicação e/ ou Marketing (15%). Segue-se a análise dos resultados.
Menos contratações e menos aumentos
Começamos pelas perspectivas de evolução do emprego em Portugal, para 2026. E há uma alteração notória. Enquanto, no final do ano passado, a perspectiva de 54% dos inquiridos era de crescimento, para 2026 a tendência que se destaca é a de manutenção, sendo a convicção da maioria (55%) que o nível de emprego se irá manter. Não obstante, 36% acredita que o emprego vai aumentar (entre 0,1% e 3%, para 27%; e entre 3% e 5% para 9%) – menos 18 pontos percentuais (p.p.) do que a estimativa para 2025. Por outro lado, menos de um em cada 10 (9%) antevê que o emprego vá diminuir e ninguém antevê que essa diminuição seja superior a 3%.
Quando se restringe a pergunta à realidade dos especialistas e se pede a projecção para a evolução do número de colaboradores nas suas empresas, a tónica dominante continua a ser a da manutenção, mas de forma menos expressiva (50%), com 41% a afirmar que vai aumentar: entre 0,1% e 3%, para 24%; entre 3% e 5% para 2%; e mais de 5% para 15%. É aqui que se regista a maior diferença, com os especialistas a relevarem maior optimismo em relação às suas empresas do que ao mercado em geral (com ninguém a acreditar que aumento de emprego seja acima dos 5%). Por outro lado, apenas 9% dos especialistas admitem que o número de colaboradores na sua empresa vai diminuir, uma descida significativa em relação aos 19% que o perspectivavam para 2025. No ano passado, as opiniões dividiam-se entre o “vai manter-se” e o “vai aumentar entre 0,1 e 3%”, ambos com 26% das respostas, com 22% dos inquiridos a afirmar que o headcount na sua empresa ia aumentar entre 3% e 5% e 7% mais de 5% (num total de 53%, superior em 12 p.p. aos resultados deste ano). Ou seja, nota-se menos optimismo.
Passando do emprego para os salários, nota-se uma tendência e alinhamento ainda mais claro: sobre a evolução dos salários brutos em Portugal (na maioria das empresas) para 2026, 62% revela que os aumentos serão entre 2% e 4% (em linha com a inflação prevista, na ordem dos 2%). Em relação ao ano passado, salta à vista uma redução significativa nas perspectivas de aumentos superiores a 4%: apenas 2% acredita que os salários vão aumentar acima dessa percentagem, uma queda de 10 p.p. face aos 12% que confiava em aumentos superiores a 4% para 2025. Não obstante, juntando os 24% que confia que irá aumentar entre 1% e 2%, e os 7% que afirma que o aumento será inferior a 1%, surge um total de 95% que acredita que os salários vão aumentar na generalidade das empresas (sendo que não se pode esquecer que há aumentos obrigatórios, por via da subida do salário mínimo nacional, que vai aumentar 5,7%).
Não se nota uma diferença significativa quando se restringe a pergunta a como vão evoluir os salários brutos nas respectivas empresas. A tendência que se evidencia volta a ser a de aumentos entre 2% e 4%, sendo os números avançados por 69% dos inquiridos, um valor significativamente mais alto do que os 50% que o previa para 2025. O maior conservadorismo surge reiterado com os 12% que garante que o aumento será superior a 4%, menos 7 p.p. do que os 19% que previa esse nível de aumento para 2025. De referir ainda que 5% admite que não vai aumentar salários em 2026 (uma ligeira subida face aos 2% que o admitia no ano anterior), tal como os que reconhecem que os aumentos serão inferiores a 1%. Já 9% diz que os aumentos se vão ficar entre 1% e 2%.
Leia o artigo na íntegra e Fique a conhecer todos os resultados do LXII Barómetro Human Resources na edição de Dezembro (nº. 180) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
E tem também o comentário dos especialistas (que vamos partilhar individualmente)
– Vera Rodrigues, head of People da MC Sonae
– Verónica Soares Franco, administradora e Chief Human Resources Officer do Pestana Hotel Group
– Mariana Canto e Castro, directora de Recursos Humanos da Randstad Portugal
– Rita Correia, directora de People & Culture da Deloitte
– Pedro Ribeiro, director-geral Pessoas e Organização do Super Bock Group
– Ana Petrucci, HR and Brand & Engagement director da Intelcia
– Irene Rua, Chief People Officer do Doutor Finanças
– Rui Teixeira, director-geral do ManpowerGroup Portugal
– Catarina Paiva, administradora do Turismo de Portugal
– Tânia Correia, directora de Recursos Humanos do Savoy Signature
– Ana Herrero, directora de Recursos Humanos do Leroy Merlin Portugal