Burnout como doença ocupacional: um alerta urgente para o mercado de trabalho

Por José Pedro Fernandes, vice-presidente da SISQUAL® WFM

 

Portugal é, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o país europeu com maior risco de burnout ocupacional. Este fenómeno, classificado pela OMS como exclusivamente relacionado com o ambiente de trabalho, distingue-se de outras condições psicológicas com causas multifactoriais. Ou seja, o burnout não é apenas uma questão individual, mas sim colectiva e estrutural. Se um colaborador adoece, é fundamental observar o contexto à sua volta: lideranças, rotinas, políticas internas e cultura organizacional.

Tal como um espectro invisível, os problemas de saúde mental podem não doer como um osso partido, mas os seus efeitos prolongam-se por muito mais tempo. Além disso, o estigma ainda associado à saúde mental no local de trabalho, especialmente quando exposta a colegas ou chefias, dificulta o acesso precoce a cuidados e tratamentos adequados e, infelizmente, continua a adiar respostas eficazes.

As empresas, em muitos casos, tentam mitigar estes impactos através de algumas iniciativas, mas estas revelam-se frequentemente pouco eficazes. A saúde mental é hoje um dos principais factores de turnover: um colaborador esgotado, desmotivado ou sem sentir apoio acabará por procurar uma mudança. Passamos mais horas no trabalho do que em casa, com as nossas famílias, pelo que, se o bem-estar não for uma prioridade, o afastamento torna-se uma consequência quase inevitável.

Neste cenário, torna-se urgente uma mudança de postura. Empresas e gestores já não podem encarar o burnout como “fraqueza” ou “falta de preparação emocional”. É necessário implementar programas de bem-estar, rever modelos de produtividade e realizar avaliações periódicas dos riscos psicossociais. Ignorar essa realidade não só agrava o sofrimento humano como pode trazer consequências legais e a perda de talentos essenciais.

É aqui que entram as soluções de Workforce Management (WFM – Gestão da Força de Trabalho), que surgem como ferramentas estratégicas no combate ao burnout. O WFM permite um planeamento eficiente da força laboral, assegurando que os horários sejam distribuídos de forma justa e equilibrada, evitando jornadas excessivas e sobrecarga – dois dos principais gatilhos da síndrome.

Além disso, estas soluções oferecem análises preditivas que identificam padrões de absentismo, quebras de produtividade ou aumento de horas extraordinárias. Estes insights permitem uma atuação proativa por parte dos gestores, com ajustes nos processos e intervenções antecipadas antes que o problema se agrave.

Em resumo: ou mudamos a forma como encaramos o trabalho, ou continuaremos a adoecer silenciosamente em nome de metas que não justificam o custo da nossa saúde.

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