
Carlos Sezões, Darefy – Leadership & Change Builders: Memórias e aprendizagens das olimpíadas
Os Jogos Olímpicos são uma montra de excelência e determinação. E os líderes empresariais podem tirar lições valiosas do espírito dos Jogos Olímpicos.
Leia o artigo de Carlos Sezões, Managing partner da Darefy – Leadership & Change Builders
Sim, sempre fui um entusiasta dos Jogos Olímpicos. Por razões (ou emoções) várias. Pela expectativa de ver a superação dos nossos próprios limites humanos (citius, altius, fortius), pelos novos recordes mundiais, pelos intensos duelos pelas medalhas e pelo (natural) orgulho nacional de apoiar Portugal e os seus atletas. Recordo-me, em 1984, ainda criança, de assistir ao final da maratona dos Jogos de Los Angeles, pela televisão (e aqui foi a meio da noite), quando o grande Carlos Lopes, já com 37 anos e no final da sua carreira, trouxe para Portugal a sua primeira medalha de ouro!
Depois disso, vários momentos únicos ficaram na minha mente: as actuações do dream team de basquetebol dos EUA, em Barcelona, a imagem extraordinária de Derek Redmond, a coxear até ao final da sua prova de atletismo, apoiado pelo pai, ou a fantástica corrida de Michael Young, em Atlanta, estabelecendo o recorde mundial nos 200 metros. Ou a recuperação de Fernanda Ribeiro na final dos 10 000 metros e as extraordinárias prestações de natação de Ian Thorpe e Michael Phelps. E, nos actuais Jogos de Paris, as formidáveis performances em ginástica de Simone Biles – que parece, com a maior naturalidade, balancear o foco, a busca pela excelência e a pura alegria de competir.
Os Jogos Olímpicos são, de facto, uma montra de excelência e determinação. E sim, acredito que os líderes empresariais podem tirar lições valiosas do espírito dos Jogos Olímpicos, aplicando estes princípios nas suas equipas e organizações.
Primeiro, a procura da excelência e não se contentar com a mediania! Os atletas olímpicos dedicam anos de treino rigoroso para se destacarem nas suas modalidades. Este compromisso é uma lição vital para os líderes empresariais. Ao estabelecerem standards elevados e lutarem pela melhoria contínua, os líderes podem inspirar as equipas a alcançar resultados excepcionais. Incentivar uma cultura de excelência garante que cada membro da organização está focado em apresentar o melhor desempenho.
Também importante, a resiliência e a perseverança. A viagem até aos Jogos Olímpicos costuma ser repleta de contratempos, lesões e decepções. Ainda assim, os atletas demonstram uma extraordinária determinação. Os líderes empresariais podem aprender a aceitar o desafio, serem um pouco mais risk takers, e a ver os fracassos como oportunidades de crescimento. Ao promoverem uma mentalidade resiliente, os líderes ajudarão as suas equipas a enfrentar as adversidades, a adaptar-se às novas circunstâncias e… a emergir mais fortes!
Essenciais, o trabalho em equipa e a colaboração. Embora o brilhantismo individual seja um ingrediente dos Jogos Olímpicos, muitas modalidades exigem um efectivo trabalho de equipa. E, mesmo nos desportos individuais, existe sempre um staff de treinadores e gestores por trás. Os líderes empresariais podem aprender aqui as dinâmicas da coesão, onde os pontos fortes de cada um são aproveitados para a missão comum. Incentivar a complementaridade e a comunicação aberta garantirá que as equipas trabalham em sinergia.
Depois, estabelecer objectivos claros. Os atletas olímpicos estabelecem metas mensuráveis e com timings para orientar o seu treino e desempenho. Os líderes empresariais devem adoptar uma abordagem semelhante e proporcionar visão e motivação, permitindo que as equipas alinhem os seus esforços. Celebrar milestones ao longo do caminho também reforça um sentimento de realização e mantém o momentum.
Finalmente, liderança ética e espírito desportivo. O espírito olímpico assenta no respeito e na integridade. Os líderes devem ser transparentes e ter um comportamento ético – construindo confiança e credibilidade junto de todos os stakeholders.
Sim, o espírito olímpico e a dedicação dos atletas de topo oferecem lições poderosas a todos os líderes empresariais. Fiquemos atentos: Los Angeles é já em 2028!
Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº. 165) da Human Resources.
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