
Cevat Mert e Rita Baptista, Cimpor: Um compromisso contínuo com a excelência, a inovação e a sustentabilidade
No âmbito do especial dos 15 anos da Human Resources, desafiámos responsáveis de empresas a perspectivarem os pontos-chave da liderança para os próximos 15 anos.
Por Cevat Mert e Rita Baptista, CEO e CHRO da CIMPOR
Onde estamos e para onde queremos ir
Cevat Mert: A liderança empresarial está a atravessar um momento de transformação profunda e isso é particularmente evidente em sectores com a história e o impacto da indústria cimenteira. Na Cimpor, acreditamos que liderar, hoje, significa ter a capacidade de equilibrar solidez estratégica com visão de futuro, mantendo o foco nos resultados, mas com um olhar atento sobre o papel que desempenhamos na sociedade e no planeta.
Estamos num ponto em que a liderança tem de ser simultaneamente firme e adaptável, capaz de responder a desafios cada vez mais complexos: descarbonização, transição energética, digitalização, escassez de talento. Acreditamos que os próximos 15 anos exigirão líderes com pensamento sistémico, capacidade de mobilização e coragem para tomar decisões que façam a diferença dentro e fora da organização.
Encaramos a liderança como um compromisso contínuo com a excelência, a inovação e a sustentabilidade. Queremos continuar a preparar a empresa para o futuro, reforçando a nossa competitividade e relevância no sector, com uma liderança sólida, responsável e orientada para o longo prazo.
A disrupção que está a obrigar à mudança
Cevat Mert: A grande disrupção que hoje impacta a liderança, e que continuará a marcar a próxima década, é a convergência entre sustentabilidade, digitalização e mudança geracional. Esta transformação não é apenas tecnológica ou ambiental: é cultural. Está a alterar a forma como as organizações operam, se relacionam com os seus stakeholders e definem o seu papel no mundo.
No sector industrial, e em particular na indústria cimenteira, a pressão para reduzir a pegada carbónica, reinventar processos produtivos e responder a exigências regulatórias crescentes está a acelerar mudanças que, até há poucos anos, pareciam distantes. Ao mesmo tempo, a digitalização está a transformar as cadeias de valor, a forma como gerimos activos, como comunicamos e até como tomamos decisões estratégicas.
Estas mudanças exigem líderes com uma nova mentalidade, mais ágil, mais colaborativa, mais sensível ao impacto social e ambiental das suas decisões. E, talvez o mais desafiante: líderes preparados para lidar com a incerteza e com uma crescente complexidade, sem perder a capacidade de mobilizar equipas e garantir resultados. A liderança do futuro não se define apenas pela capacidade de reagir ao que muda, mas pela visão e coragem para moldar o que vem a seguir.
Competências críticas e temas prioritários dos “líderes do futuro”
Rita Baptista: Do ponto de vista da Gestão de Pessoas, os líderes do presente, que são, na verdade, os líderes do futuro, precisam de conjugar as competências clássicas de gestão com uma forte dimensão humana. A inteligência emocional, a escuta activa, a adaptabilidade, a proximidade e a capacidade de comunicar tornaram-se competências essenciais, num contexto marcado por mudanças rápidas e crescentes exigências sociais e organizacionais.
Hoje, uma liderança eficaz assenta em relações de confiança, com as equipas, com os pares e com a comunidade. Já não basta liderar com autoridade; é necessário liderar com coerência, propósito e empatia. Os líderes que conseguem integrar diferentes perspectivas, gerar sentido no trabalho das suas equipas e promover culturas organizacionais saudáveis estão mais bem preparados para responder aos desafios actuais.
Na agenda de qualquer líder devem estar temas que antes eram vistos como acessórios, mas que hoje são cruciais: a sustentabilidade, não apenas ambiental, mas também social e humana; a transição digital como uma ferramenta de inovação e capacitação; a atracção e retenção de talento; e o investimento contínuo no desenvolvimento das pessoas.
Liderar hoje é, mais do que nunca, criar as condições para que as pessoas possam dar o seu melhor. E isso exige coragem, visão e uma profunda capacidade de mobilização.
O perfil de líder ideal em 2030
Rita Baptista: O líder ideal será alguém que reúna quatro dimensões fundamentais: visão estratégica, consciência social, empatia e agilidade transformacional. Será um líder capaz de aliar competências técnicas e visão de negócio a uma sensibilidade humana genuína. Alguém que compreende que o sucesso sustentável se constrói com equipas motivadas, um propósito claro e um impacto positivo na sociedade.
Este perfil de liderança será, acima de tudo, profundamente comprometido com a sustentabilidade, como um princípio orientador da forma como se lidera, se decide e se influencia. Estará preparado para tomar decisões com impacto ambiental e social, conciliando os resultados de curto prazo com a responsabilidade intergeracional.
Será também um líder fluente no digital, capaz de utilizar a tecnologia como catalisador de inovação e de eficiência, mas sem nunca perder o foco nas pessoas. A liderança do futuro exigirá uma enorme capacidade de escuta, de empatia, de adaptação e de mobilização, para gerir realidades diversas e contextos globais cada vez mais complexos.
Na perspectiva da Gestão de Pessoas, preparar este tipo de liderança é um desafio estratégico e contínuo, e também uma das nossas maiores responsabilidades.
Principais desafios a ultrapassar
Rita Baptista: Os principais desafios para concretizar este novo modelo de liderança passam, em grande parte, por transformações internas: culturais, estruturais e comportamentais. Um dos maiores obstáculos continua a ser a resistência à mudança. Em sectores mais tradicionais, como o industrial, muitos líderes ainda operam com base em modelos hierárquicos e centrados no controlo, o que dificulta a transição para estilos de liderança mais colaborativos, ágeis e humanos.
Outro desafio crítico é a escassez de talento com o perfil adequado para liderar nestes contextos complexos. Hoje, além das competências técnicas, procuramos também versatilidade, empatia, pensamento crítico e capacidade de mobilização. A competição por este tipo de talento é intensa, o que torna a sua atracção, desenvolvimento e retenção uma prioridade estratégica.
Acresce a complexidade crescente dos contextos em que operamos: os líderes enfrentam simultaneamente pressões económicas, exigências sociais, metas ambientais e avanços tecnológicos. Gerir esta multiplicidade de variáveis de forma equilibrada exige novos modelos de decisão, maior abertura à colaboração e uma forte aposta na aprendizagem contínua, tanto individual como organizacional.
Este artigo faz parte do Tema de Capa publicado na edição de Julho (nº. 175) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.