Disrupção na Gestão de Pessoas

O mundo está a ser disrompido a uma velocidade sem precedentes e o mundo do trabalho é exemplo disso.

 

Por Clara Trindade Directora de Recursos Humanos na L’Oréal Portugal

 

As novas gerações têm novas expectativas. Há uma concorrência feroz e crescente pelo talento. E sites
de avaliação como o Glassdoor permitem que os potenciais colaboradores “levantem o véu” e vejam como é realmente trabalhar em determinada em- presa. Gigantes tech e startups oferecem condições atractivas e captam pessoas talentosas com a promessa de se poder fazer a diferença e partilhar o sucesso. “Anunciam” inovação, flexibilidade e confiança. Por isso, para continuar a vencer neste novo mundo, as em- presas têm que ser cada vez mais universalizadas, digitais e sustentáveis. Se vamos construir uma L’Oréal que continue um passo à frente, somente desenvolvendo a nossa capacidade de ser ágil é que podemos navegar pela mudança e aproveitar rapidamente as oportunidades. Somente competindo de “cabeça erguida” pelo talento e tornando-nos um empregador incrível é que poderemos continuar a atrair e reter as melhores pessoas. Os Recursos Humanos têm um papel chave nesta transformação. Para enfrentar os novos desafios, precisamos de uma nova mentalidade, totalmente centrada nas pessoas, a que chamámos <<DISRUPT HR>> – para refocar a actuação dos Recursos Humanos em três grandes mudanças:

– Spot mais talentos. Precisamos acelerar a agenda de talentos, diversificar e duplicar a pool de talentos. Ao alavancar o nosso talento interno e mantendo uma ampla pool de talentos externos, garantiremos a contratação e a retenção do melhor dos melhores. Por outro lado, o novo mundo vai continuar a agitar o nosso modelo de aquisição de talentos, pelo que o processo de recrutamento deve impulsionar a nossa imagem como empregador e melhorar a eficiência e a diversidade na contratação.

– Crescer as pessoas, para crescer o negócio. As funções do futuro ainda não existem, todas as funções necessitam de um upskilling massivo, o desenvolvimento pessoal é um must e é cada vez mais necessário ter o domínio de competências e conhecimento chave. Como tal, reinventar os modelos de learning e de gestão de talento é fundamental. Os colaboradores têm de evoluir a um ritmo nunca visto antes e, por isso, têm de ter acesso a uma aprendizagem flexível e cus- tomizada, bem como a um novo sistema de gestão de desempenho, baseado em feedback contínuo, entre outros.

– Comprometer as pessoas, para libertar todo o seu potencial. É necessário redefinir as relações, reforçar os laços e o compromisso com a organização.

É preciso caminhar cada vez mais de uma abordagem “one size fits all” para soluções contratuais flexíveis, de recompensas monetárias tradicionais para recompensas totais personalizadas, de experiências clássicas no local de trabalho para uma experiência de colaborador que seja ‘wow’, de um feedback anual/ semestral para um feedback “on the go”…

Adicionalmente, e de forma transversal, é fundamental o focus em aumentar a agilidade na Gestão de Pessoas, garantir a responsabilidade dos managers, alavancar os sistemas de informação RH, bem como trabalhar os dados e insights de colaboradores.

<<DISRUPT HR>> implica um conjunto de iniciativas transformadoras. A maioria delas são alavancadas por tecnologia, enquanto outras dizem respeito ao modo interno de trabalho e organização.

Ao libertar as equipas RH de tarefas que eventualmente podem ser feitas por inovações tecnológicas como, por exemplo, chatbots, e ao eliminar processos não essenciais, então a função RH poderá aumentar a sua capacidade de explorar ainda mais talentos, criar conexões mais profundas com esses talentos e apoiar de forma geral a transformação que se impõe continuamente ao negócio e às pessoas. Ou seja, um RH ágil ao serviço dos talentos e da transformação da organização.

 

Este artigo foi publicado na edição de Maio da Human Resources.

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