Num país de doutores e engenheiros

Existe um preconceito relativamente ao ensino profissional. Mas não podemos continuar a ser um país só de doutores e engenheiros, carentes de profissões técnicas que continuarão a ser úteis no nosso dia-a-dia.

 

Por Miguel Mascarenhas, fundador da Fixando

 

Portugal está a evoluir a olhos vistos, em diversas áreas, e a educação e as profissões tentam ajustar-se ao futuro que todos os dias nasce. Não nos podemos esquecer, porém, que existe um sem número de profissões que continuam, e continuarão a ser, necessárias e cuja oferta de profissionais é cada vez mais diminuta. E é aqui que podem nascer oportunidades.

O ensino regular continua a ter a maior taxa de adesão e Portugal tem cada vez mais alunos a terminar o ensino secundário. Os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) comprovam que, apesar de mais de metade da população adulta portuguesa (25-64 anos) não ter completado a educação secundária, é notório um crescimento nas gerações mais novas (25-34 anos), de 40% em 2007 para 70% em 2017. No entanto, a média da OCDE é de 85%, pelo que muito trabalho precisa de ser feito.

Uma das soluções a nível europeu tem sido o investimento no desenvolvimento do ensino profissional e técnico profissional sendo que, em 2016, 44% dos alunos estavam inscritos neste regime. Mas, questões políticas de lado, a verdade é que ainda existe um preconceito relativamente ao ensino profissional. É visto como uma última opção e, para os alunos que o encaram como prioridade, o medo de serem rejeitados no futuro mercado de trabalho é tremendo.

O que importa considerar é que não podemos continuar a ser um país só de doutores e engenheiros, carentes de profissões técnicas que continuarão a ser úteis no nosso dia a dia. Não tem de ser menos prestigiante seguir profissões que, não tendo o estatuto de ‘superiores’, podem garantir um futuro profissional tão ou mais risonho que as restantes.

Os novos profissionais, oriundos destas áreas, terão com certeza sucesso no mercado, não só pela carência de técnicos especialistas – a procura é, de facto, em muitos casos, superior à oferta -, mas também porque, nos dias de hoje, a prestação de serviços tem o mundo digital para auxiliar. É o caso das redes sociais, como o Facebook, os websites gratuitos ou mesmo plataformas como a Fixando, em que os profissionais se inscrevem e respondem a pedidos de diversos tipos de serviços. E todos os dias nos apercebemos da dificuldade em encontrar profissionais para responder aos pedidos dos clientes: categorias de profissionais que vão de estofadores, eletricistas, canalizadores ou até a profissionais de remodelações e obras têm muita procura, mas pouca oferta. As competências destes profissionais vão gradualmente valorizando e como tal os orçamentos e os custos destes serviços vão aumentando.

Às empresas, deverá caber a responsabilidade de conhecer o ensino profissional e as suas variantes, fazer uma aproximação estratégica e integrar estes alunos nas suas equipas.

 

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