O fim dos cubículos. E que mais?

Por Sofia Tenreiro
Directora-geral da Cisco Portugal

A tecnologia tem alterado drasticamente os modelos de negócio e a forma de trabalhar. Mas não é apenas a tecnologia que as empresas têm de adaptar.

Há menos de duas décadas, os cubículos eram a nossa realidade de ambiente de trabalho. Decorações com fotografias de férias ou de destinos de sonho tentavam ampliar infinitamente as suas paredes para nos fazerem esquecer da limitação do espaço e da falta de flexibilidade e mobilidade dos computadores fixos.

Desde então, que mudança!… Não só os portáteis estão ao alcance de quase todos nós, como os cubículos são considerados “vestígios do passado”, que pouco contribuem para o espírito colaborativo, inovador, empreendedor e flexível que os dias de hoje exigem para as empresas terem sucesso e atrairem e reterem o talento de qualidade.

A tecnologia tem tido um papel fundamental nesta evolução ao alterar drasticamente os modelos de negócio e o modo como vivemos e interagimos com todas as outras pessoas, quer a nível pessoal, quer profissional.

Não é estranho que um jovem, que passa várias horas da sua vida pessoal focado em ecrãs (telefone, tablet, computador, TV/consola, etc.), e a comunicar por texto ou vídeo de forma imediatista, tenha a expectativa de usar ferramentas de trabalho pelo menos tão eficientes como as que usa para gerir as suas relaçoes pessoais. Estas expectativas criam uma pressão enorme nas empresas que têm, assim, de disponibilizar ferramentas de colaboração de última geração. É expectável que estas permitam uma mobilidade e flexibilidade na forma de trabalhar e uma produtividade agnóstica do espaço e tempo.

Mas não é apenas a tecnologia que tem de se adaptar. Também o estilo de liderança e as hierarquias têm de abraçar um mundo onde é desejável que a contribuição, a inovação, o desafio surja de todos os níveis da companhia, assente numa cultura de confiança. Por outro lado, para que esta mobilidade e flexibilidade sejam bem-sucedidas, é crucial que os objectivos de cada um estejam muito bem definidos e sejam passíveis de ser mensuráveis, e que o seu seguimento e feedback permitam criar uma cultura de responsabilização.

As políticas de Recursos Humanos também se têm vindo a adaptar à medida que os colaboradores esperam ser tratados de forma individual, tendo em conta as suas necessidades e interesses. Os benefícios flexíveis são, assim, uma realidade. Também hoje se recorre a técnicas semelhantes às redes sociais ou à gamificação para aumentar a atractividade de processos internos que antes eram pouco atractivos. Empresas como a Cisco adoptaram plataformas semelhantes a redes sociais com elementos de gamificação para criar um processo contínuo de feedback e avaliação de desempenho e reforçar a comunicação entre as equipas, que são cada vez mais globais e multipaís.

Por último, convém não esquecer que a aceleração desta mudança e a reinvenção irão criar necessidades diferentes de talento e de competências. Estas forçarão as empresas a recorrer a bolsas de talento que trabalharão por projectos, de acordo com as suas forças e conhecimentos específicos.

Se antigamente trabalhar num cubículo era a realidade que conhecíamos, hoje há uma concorrência salutar entre empresas por conceberem e construírem escritórios mais atractivos e colaborativos, onde as pessoas tenham vontade de trabalhar e que maximizem a sua motivação e o orgulho pela organização. Passamos assim de três ou quatro paredes com impressões de fotografias para espaços amplos que recorrem à tecnologia para se tornarem mais atraentes, flexíveis, colaborativos e surpreendentes.

Artigo de opinião publicado na Revista Human Resources n.º 96 de Novembro de 2018.

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