Para que é que trabalhamos?

Sobre os resultados do XXVII Barómetro Human Resources, Maria Alexandra Martins, directora de Recursos Humanos da Universidade do Porto, destacou que «ter um propósito é diferente de reconhecer uma missão, uma visão e valores que, embora importantes, não apontam com absoluta clareza o caminho e porque razão esse é o caminho certo».

 

«Por que é que trabalhamos, para que é que trabalhamos? A que propósito nos deslocamos dia após dia para cumprirmos um sem número de tarefas levando a cabo um sem número de acções? É fundamental, para quem trabalha conhecer o propósito da empresa em que se encontra inserido, rever-se nesse mesmo propósito sendo claro qual o seu contributo para se alcançar o mesmo. A que propósito vou trabalhar é uma questão pessoal, relacionada com cada indivíduo e que pode não coincidir com o propósito da empresa em que o mesmo se insere. Eu vou trabalhar porque… E aqui cada pessoa tem um propósito relacionado com objectivos pessoais e desejavelmente inspirados na busca da sua felicidade. Mas, a propósito de quê desempenho estas funções? A resposta há-de ser o propósito definido e comunicado pela empresa, reconhecidamente um propósito comum. Reconhecer o propósito da empresa é trabalhar sabendo, em concreto, qual o resultado a alcançar e de que forma se chegará ao mesmo. O que alcançará a empresa com as acções planeadas e os projectos aprovados? Ter um propósito é diferente de reconhecer uma missão, uma visão e valores que, embora importantes, não apontam com absoluta clareza o caminho e porque razão esse é o caminho certo. Todos, enquanto trabalhadores precisamos de conhecer e reconhecer o propósito da empresa em que nos inserimos. Alegra-nos que uma tão significativa percentagem de inquiridos reconheça que a sua empresa tem um propósito e que uma percentagem, igualmente significativa, porém inferior, tenha reconhecido como muito importante a existência do mesmo. Na nossa opinião, o propósito das empresas há-de ser inspirador, agregador e motivador sendo que, cremos, valerá a pena, embora respeitando os propósitos pessoais distintos das diferentes gerações, chamá-las a trabalharem em conjunto movendo-se, no exercício das suas funções, por um propósito (da empresa) comum! Ainda a respeito do 27.º questionário, e no que se refere ao ensino técnico em Portugal, apetece-nos dizer que é necessário definir um propósito para o mesmo e envolver nesse propósito, dando adequada formação e trabalhando a motivação, os docentes. O ensino técnico só servirá verdadeiramente às empresas se passar a ser ministrado como distinto do ensino regular e, em simultâneo, passar a contar, na componente estágio/projecto, com uma envolvida cooperação das empresas na formação dos jovens. O trabalho há-de ser escola/empresa e o envolvimento há-de ser empresários/docentes/estudantes para que o ensino técnico seja suficiente e útil no nosso país, facilitando a identificação e contratação de bons técnicos.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Setembro da Human Resources, no âmbito do XXVII Barómetro.

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