
Pedro Rocha e Silva, LHH | DBM Portugal: Que se soltem as amarras
No seu comentário à LXI edição do Barómetro Human Resources, Pedro Rocha e Silva, Managing director da LHH | DBM Portugal, revela que «o futuro não será feito de horários de fábrica e vínculos para toda a vida: será feito de confiança, mobilidade e coragem para mudar. Portugal só será competitivo quando deixar cair as amarras do passado e assumir, sem medo, uma verdadeira cultura de flexibilidade».
«Fala-se muito de flexibilização do mercado de trabalho em Portugal, mas raramente se assume a verdade: estamos presos a um modelo que já não responde às exigências do presente. Enquanto outros países avançam com regimes híbridos, contratos dinâmicos e maior autonomia para os profissionais, por cá continuamos agarrados a velhos dogmas que confundem estabilidade com imobilismo.
A rigidez que tanto se defende protege alguns, mas exclui muitos, – sobretudo os jovens, condenados a esperar por oportunidades que nunca chegam e a emigrar para encontrar o que aqui lhes é negado.
É certo que a flexibilidade pode gerar riscos de precariedade, mas o maior risco é fingir que o status quo funciona. Um mercado demasiado rígido é um mercado injusto: bloqueia a entrada de talento, limita a competitividade das empresas e asfixia a inovação.
Precisamos de um modelo capaz de acolher trajectórias diversas, dar às empresas a agilidade que a economia global exige e aos trabalhadores a liberdade de construir carreiras mais alinhadas com as suas vidas.
O futuro não será feito de horários de fábrica e vínculos para toda a vida: será feito de confiança, mobilidade e coragem para mudar. Portugal só será competitivo quando deixar cair as amarras do passado e assumir, sem medo, uma verdadeira cultura de flexibilidade.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Outubro (nº. 178) da Human Resources, no âmbito do seu LXI Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.