Portugueses de Sucesso: André Pinto, BCG Brasil. Quatro países, um grande ensinamento: a importância da adaptabilidade e da empatia cultural

Human Resources com Lusa
5 de Novembro 2025 | 10:10

A vida dá muitas voltas. Que o diga André Pinto, que transitou de Engenharia Mecânica para o sector energético e passou por vários países até se instalar no Brasil. A inquietação e a curiosidade levaram-no a trabalhar no maior desafio económico e tecnológico da actualidade.

 

Por Tânia Reis

 

Seguiu Engenharia Mecânica, mas cedo percebeu que queria fazer mais, de sair da rotina e de ter um papel mais abrangente na transformação das empresas. Assim que surgiu a primeira oportunidade de expandir horizontes e experiência, André Pinto agarrou-a. Suécia, Espanha, Chile e Brasil, onde está há 13 anos, trouxeram inúmeras aprendizagens mas, acima de tudo, a importância da adaptabilidade e da empatia cultural.

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Hoje é managing director and senior partner no Boston Consulting Group no Rio de Janeiro e regressar a Portugal é algo que ambiciona, mas de momento não tem pressa. Uma coisa garante: sem o apoio da família, nada disto teria sido possível.

Estudou Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico e integra a Tetra Pak em 2002 na área de gestão de projectos industriais. Recorda-se como foi a entrada no mundo do trabalho?
Foi uma experiência marcante. Tinha acabado de concluir o curso, e entrar na Tetra Pak foi como mergulhar na realidade prática, onde finalmente podia aplicar o que tinha aprendido. Era um trabalho desafiante, interessante e com impacto.

No entanto, percebi cedo que não queria ficar apenas no lado técnico. Gostava muito da engenharia, mas sentia vontade de fazer mais, de sair da rotina e de ter um papel mais abrangente na transformação das empresas. Essa inquietação foi determinante para as escolhas que fiz mais tarde.

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Também desempenhou funções na empresa na Suécia, no que, acredito, terá sido a sua primeira experiência internacional. Como surgiu a oportunidade? Ir para fora era um objectivo de carreira?
Desde cedo ambicionava ter uma carreira internacional. Na Tetra Pak, surgiu a possibilidade de fazer um projecto em Malmö, na Suécia, uma das sedes globais da empresa, e não hesitei em agarrar essa oportunidade. Foi a minha primeira experiência fora de Portugal e deu-me uma perspectiva completamente diferente, uma cultura muito organizada e eficiente, onde o rigor e a qualidade são sempre prioritários. Ao mesmo tempo, fui obrigado a adaptar-me rapidamente a novos contextos. Ir para fora era, de facto, um objectivo meu, e a Suécia acabou por ser a porta de entrada ideal.

 

Em 2005, vai estudar Finanças para Barcelona. Porque sentiu necessidade de melhorar as suas competências e conhecimentos na área financeira?
A decisão teve várias motivações. Por um lado, queria complementar a formação em engenharia com uma base sólida em finanças e gestão, para poder ter um papel mais estratégico.

Por outro, havia uma motivação pessoal muito forte: a minha namorada na altura – hoje minha esposa, Elena – vivia em Barcelona, e fazia todo o sentido estarmos mais próximos. Além disso, via em Barcelona uma plataforma excelente para desenvolver uma carreira internacional. Não queria ficar apenas confinado ao mundo da engenharia, queria ir mais longe. O MBA no IESE deu-me essa oportunidade.

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Entretanto, integra o Boston Consulting Group em 2007 e, três anos depois, vai de Barcelona para Santiago do Chile. Como foi a mudança para a realidade sul-americana?
Entrei na BCG em Barcelona, onde fiquei quase quatro anos. Foi uma escola extraordinária, em termos de intensidade, aprendizagem e oportunidades. Depois surgiu a possibilidade de ir para o Chile. Foi pensado como um movimento temporário, com a ideia de regressar a Espanha, mas, mais uma vez, quis fugir da rotina e conhecer novas realidades.

No Chile, encontrei um mercado vibrante e comecei a interagir com o escritório do Brasil. Foi nessa altura que me aproximei do sector energético latino-americano e tive o primeiro contacto com a efervescência da economia brasileira e com a descoberta do pré-sal — um momento transformador para o sector.

 

O que é que o atraiu nesse sector?
O sector energético sempre me atraiu pela sua importância estrutural no desenvolvimento das sociedades e das economias. A energia é, em muitos aspectos, o motor do progresso, alimenta a indústria, impulsiona a inovação e permite melhorar continuamente a qualidade de vida. Historicamente, as grandes transformações económicas e sociais estiveram sempre ligadas à forma como produzimos e utilizamos energia.

Do ponto de vista pessoal, como engenheiro mecânico com formação em termodinâmica, o tema da energia sempre foi intelectualmente muito estimulante. A forma como a energia se transforma, se transporta e é utilizada de forma eficiente fascinou-me desde os tempos de estudante, e acabou por ser uma ponte natural entre o meu interesse técnico e a minha ambição de contribuir para algo com impacto global.

Para além disso, o sector tem uma relevância geopolítica incontornável. A energia moldou fronteiras, alianças e estratégias globais ao longo da história, e continua hoje a ser um dos principais eixos de influência internacional, tanto na Europa, onde a transição energética redefine dependências e prioridades, como nos Estados Unidos e em várias outras regiões do mundo.

Mas o que mais me entusiasma é o momento actual. Estamos a viver uma transformação profunda a nível mundial. A transição energética é, provavelmente, o maior desafio económico e tecnológico da nossa geração. Exige inovação, investimento, cooperação e visão de longo prazo. Trabalhar neste contexto é sentir que estamos a contribuir directamente para um futuro mais sustentável e equilibrado, não apenas em termos ambientais, mas também sociais e económicos.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Outubro (nº. 178) da Human Resources, nas bancas.

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